Divergência entre dirigentes ameaça desfile de escolas
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terça-feira, 14 de janeiro de 1997
Ivan Santos 
Da Sucursal
A menos de um mês do Carnaval, o desfile das escolas de samba de Curitiba está ameaçado pela troca de acusações entre representantes das escolas e blocos da cidade. O presidente da Federação das Escolas, Luiz Gonzaga, acusa o presidente da Associação das Escolas, Neil Hamilton, de ter vendido antecipadamente o direito de exploração das barracas que vendem bebidas e lanches na Avenida Marechal Deodoro, onde é realizado o desfile, e embolsado R$ 18 mil sem prestar contas as escolas. A Associação tem o direito de exploração comercial da avenida, defende-se Hamilton.
Gonzaga diz que a denúncia foi apresentada ontem ao secretário Municipal de Esporte e Lazer, Adalberto Medeiros. Ele também acusou Hamilton de cobrar das escolas 10% de comissão da verba a ser recebida da prefeitura. A secretaria nega que tenha recebido a denúncia.
A Associação, formada por seis escolas e presidida por Hamilton, é contra a realização de um desfile único e quer que cada entidade promova um desfile em um dia diferente. A Federação e a Liga, presididas por Gonzaga e Saul DÁvila, representam sete escolas e querem desfile único, com a divisão por igual do dinheiro arrecadado pelas escolas. Ele (Hamilton) quer melar o desfile para não ter que devolver o dinheiro da venda das barracas, acusa Gonzaga.
O sambista diz que a Federação e a Liga foram criadas em março do ano passado, porque as escolas não aceitavam mais a forma como Hamilton, que preside a Associação há dez anos, comandava o Carnaval de rua na cidade. Ele nunca prestou contas de nada, afirma Gonzaga.
Segundo Hamilton, as seis escolas que formaram a Federação e a Liga foram expulsas da Associação por não cumprirem compromisso de entrarem na avenida com um mínimo de 350 integrantes. Tenho todos os comprovantes das prestações de contas para a prefeitura e as escolas desses dez anos, afirma.
Diante do impasse, o secretário dos Esportes e Lazer deu prazo até hoje ao meio-dia para que os dirigentes chegassem a um acordo. A prefeitura tem verba de R$ 280 mil para financiar o Carnaval de rua. Cada escola receberá R$ 10 mil e cada um dos oito blocos, R$ 3,5 mil. Medeiros diz que a partir do ano que vem, a prefeitura não vai mais financiar o desfile de rua. As escolas vão ter que procurar formas de se auto-sustentarem. Hoje, elas só se preocupam com o Carnaval em cima da hora, diz o secretário.


