Marcelo AlmeidaEdson Abelarmino só voltou a dormir bem com um gerador de fluxo aéreo nasalMulheres que dormem em camas separadas do marido e brigas conjugais. Alguns distúrbios do sono podem causar problemas graves no relacionamento familiar. Pessoas com estes distúrbios também têm a sensação de eterno cansaço e seus cônjuges são obrigados a acompanhar esta maratona.
O comerciário Edson Abelardino da Silva, 48 anos, roncava e parava de respirar (apnéia) constantemente durante a noite. A mulher Lizette, 48 anos, ficava preocupada. Mesmo quando conseguia dormir, era acordada no meio da noite porque Silva falava muito, mexia as pernas e quando voltava da apnéia, aflito, acabava batendo nela com o braço. Muitas vezes, Lizette chegou a mudar de cama para conseguir dormir.
Silva acordava até três vezes durante a noite. Nessas horas, ia fumar no quarto de hóspedes porque a mulher não gostava do cigarro. Durante o dia, dormia sentado. Chegou a pegar no sono falando ao telefone. Um dia, teve que descer do carro para não dormir no sinaleiro.
Mauro FrassonHelena Schneider consultou 15 médicos e tomou mais de 20 tipos de remédiosApesar de roncar muito, Silva não sabia que tinha apnéia. Descobriu há quatro anos, quando teve uma pneumonia e precisou consultar um médico. Silva estava se preparando para fazer uma cirurgia de palato e nariz (desvio de septo). Acabou adiando a operação por medo.
No ano passado, descobriu o CPAP (gerador de fluxo aéreo nasal contínuo). Hoje, dorme sem problemas. ‘‘Se eu deitar de lado, acordo de lado. Não fico mais me mexendo’’, diz Silva. ‘‘Além disso, voltei a jogar futebol e tênis. Antes, não fazia nada porque vivia cansado.’’
Lizette está contente com a mudança. ‘‘O único problema é que você tem que se acostumar a dormir com um mascarado’’, afirma. ‘‘No começo, foi motivo de riso.’’
Helena Schneider, 53 anos, passou muitas noites sem dormir. Consultou cerca de 15 médicos e tomou mais de 20 tipos de remédios, mas não conseguia melhorar. Chegou a ser internada numa clínica psiquiátrica.
Helena entrava em desespero toda a noite. ‘‘Eu chorava, andava de um lado para o outro e orava muito’’, diz. Quando não aguentava mais, decidia deitar e ficar quieta por um tempo. Helena também lia vários livros sobre sono. O marido sofria junto. ‘‘Às vezes, pedia para ele rezar comigo.’’
Para tentar dormir, Helena tomava overdoses de remédio. No outro dia, ficava mal. ‘‘Eu não prestava para nada, só ia sobrevivendo.’’ À tarde, Helena trabalhava. ‘‘Fazia meu serviço, mas todo mundo via que eu estava angustiada.’’
No ano passado, finalmente descobriu que tinha síndrome da perna inquieta. Hoje, toma um comprimido por dia para conseguir dormir. Diz que está bem - dorme e acorda cedo. Também trabalha melhor. ‘‘Antes, estava no fundo do poço. É horrível não dormir sem saber o porquê.’’

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