Distúrbio deve ser tratado com análise
Curitiba - A pedofilia é um transtorno de preferência sexual identificado em adultos que sentem desejo compulsivo por crianças ou pré-adolescentes. Na maioria das vezes, o distúrbio ocorre em pessoas de personalidade tímida, mas o psiquiatra Victor Eduardo Bento, doutor em psiquiatria pela Universidade de Paris e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que não há como identificar previamente se uma pessoa tem tendência a esse tipo de desvio sexual.
O médico esclarece que o pedófilo é geralmente uma pessoa imatura, mas bem integrada à sociedade. Ele exemplifica com o caso do médico pediatra Eugênio Chipkevich, preso em em março deste ano, em São Paulo, acusado de dopar e abusar sexualmente de seus pacientes. O pedófilo esconde bem a sua tendência, avalia.
Segundo o psiquiatra, a teoria freudiana explica o distúrbio como o desejo de retomar o amor infantil. Os homens buscam crianças para amar como se fosse um reflexo de si mesmo. O indivíduo quer ser a mãe de si mesmo. Apesar de saber que está errado, na maioria dos casos, o pedófilo encontra dificuldades para procurar tratamento. A ajuda é procurada quando o ato gera angústia e o pedófilo tem prazer com a ação, diz o médico.
O psiquiatra Marcos Weber, de Curitiba, diz que a pedofilia é uma doença impulsiva, de difícil controle pelo indivíduo. Não tem como descobrir se ele não for surpreendido praticando ou confesse o ato, enfatiza. Conta ainda que atendeu em seu consultório um paciente que foi filmado pela esposa, que desconfiou que ele estava abusando sexualmente do enteado. Nesses casos, a primeira coisa a fazer é proteger o menor e encaminhar a pessoa para tratamento. Segundo ele, o menor que é submetido ao abuso pode ter comprometimento psicológico futuro. Costumamos dizer que o abusado se torna um futuro abusador, ilustra.
A pedofilia é enquadrada como doença na Classificação Internacional de Doenças (CID), documento que relaciona as enfermidades mundiais. De acordo com a psiquiatra Ana Cristina Lugnami, também de Curitiba, o caso é uma questão controversa. Apesar de ser uma doença, deve ser tratada com análises, não com remédios, explicou.





