Curitiba - Na casa da secretária executiva Patrícia Poluceno não entra bolacha recheada. Ela evita o consumo de refrigerante e fritura. No almoço, não faltam opções de grelhados, legumes e verduras. Ela incentiva que as duas filhas, Victória, 17 anos, e Valentina, 10, consumam, pelo menos, uma fruta por dia.
Patrícia não sente muita dificuldade em estabelecer essas ordens em casa. As filhas também se preocupam em ter uma alimentação saudável. Valentina recebe tratamento de uma nutricionista pediátrica. A profissional indica um prato completo no almoço, rico em vitaminas e diversidade de alimentos, para evitar repetir a refeição e, assim, manter o peso. Como está em idade de crescimento, carboidratos fazem parte da dieta. ''Ela também se preocupa com a aparência'', revela a mãe.
A facilidade que a secretária executiva enfrenta hoje nem sempre foi assim. A filha mais velha já passou por algumas dificuldades em aceitar o próprio corpo. Com 14 anos ela tinha o peso ideal para a idade, mas se achava gorda. ''A Victória sempre foi magra. Nessa época conversei muito com ela pois temos um relacionamento aberto. Falei que o padrão de beleza ditado pela sociedade não é o correto e cada um tem um biotipo diferente'', explica a mãe. Hoje a jovem fez as pazes com o próprio peso, sem deixar de cuidar da alimentação. Além disso, Patrícia também incentiva o esporte para o desenvolvimento corporal das duas filhas.
Casos mais graves de não aceitação do próprio peso, causando bulimia ou anorexia, atingem cada vez mais crianças e adolescentes. A psicóloga Talita Lopes Marques, especialista em transtornos alimentares e obesidade, já atendeu pacientes de oito anos com anorexia. Casos mais raros foram registrados com problemas surgidos aos quatro anos de idade. O mais comum é que os pacientes tenham entre 12 e 14 anos, sendo que 90% são mulheres.
Ansiedade
A compulsão alimentar pode começar depois de uma briga na escola, uma discussão com os irmãos ou os pais. A ansiedade gerada é descontada na comida. No começo são ingeridas grandes quantidades de doces. Em seguida o indivíduo parte para o resto do almoço e o que vê pela frente. Em menos de duas horas a vítima se arrepende e então pode provocar o vômito.
É possível reconhecer uma criança com bulimia acompanhando a alimentação. Caso os pais suspeitem de algo, podem ver se os dentes estão amarelados (o vômito em excesso elimina o esmalte dentário) e se a parte de cima das mãos apresenta marcas de dentes. ''Em um determinado momento, colocar dois dedos na garganta já não estimula tão facilmente o vômito. Então as adolescentes enfiam quase a mão inteira e os dentes deixam marcas'', explica a psicóloga. Uma das causas da obesidade infantil é a depressão, mas a ansiedade é mais comum.

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