Chiara Papali
De Londrina
Especial para a Folha
Os Distritos Policiais (DPs) de Londrina voltaram a viver o drama da superlotação. O problema parecia parcialmente amenizado desde que a Prisão Provisória de Londrina (PPL) foi inaugurada em agosto de 98. Eles estão operando hoje com quase o dobro da capacidade. Contando com a PPL, a capacidade carcerária da cidade é de 272 presos. Mas as vagas estão ocupadas hoje por 431 detentos.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes, afirma que os distritos não foram feitos e não estão preparados para manter esta quantidade de presos.
Ele acredita que isso pode ter facilitado a fuga de 17 detentos na madrugada da última terça-feira do 4º Distrito Policial (DP) – apenas um plantonista permanecia no local durante a noite (veja texto nesta página).
Mesmo sem problemas de fugas nos distritos durante o ano passado, o delegado alerta que o risco é constante. Na última sexta-feira ele encaminhou ofício para a juíza Oneide Negrão, que substitui o juiz-corregedor dos presídios, Roberto Ferreira do Vale, pedindo autorização para transferir 35 presos para a Prisão Provisória de Londrina (PPL). O ofício foi autorizado e presos de vários distritos transferidos.
O delegado-chefe da 10ª SDP informa ainda que na próxima semana deve pedir novas transferências para a PPL. A prisão provisória, que tem capacidade para 144 detentos, mas abriga hoje 174, está parcialmente interditada por causa da última rebelião em dezembro, quando os presos quebraram as grades das paredes.
O delegado acredita que pela segurança que a PPL apresenta – guarda externa da PM e a presença de sete agentes penitenciários por dia – é melhor para evitar fugas. ‘‘Mas para resolver definitivamente o problema de superlotação dos distritos é preciso o término da construção da cadeia pública’’, enfatiza Fernandes.
A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Obras informou que um novo cronograma foi elaborado pelo governo estadual e a Cadeia Pública deve estar pronta em agosto deste ano. O prazo inicial para conclusão da obra, que começou em 98, era agosto do ano passado. Em função da falta de repasse de verbas para a construtora, as obras foram realizadas em ritmo lento. Por esse motivo, apenas 30% da construção está pronta. Foi executada terraplenagem, fundação, colocação de colunas e vigas, além de uma parte da alvenaria.
Segundo Naym Libos, assessor de imprensa da Secretaria de Obras, 38 pessoas trabalham nesta primeira etapa da construção. ‘‘A segunda etapa, que deve ir de abril a junho, inclui conclusão da obra, laje e acabamento e deve triplicar o número de trabalhadores’’, disse.
Ele ainda informa que a terceira fase seria o ajardinamento, urbanização e construção de calçadas, que terá 3,912 mil metros quadrados de área construída em um terreno de 16,920 mil metros quadrados.
O investimento do governo é de 2,6 milhões, além de um aditivo pedido em dezembro de 317 mil reais, o que totaliza 2,9 milhões. Nesta segunda fase, quando o trabalho é intensificado, o investimento deve ser de R$ 300 mil a R$ 350 mil por mês’’, informa Naym Libos.
Ele acredita que a Cadeia Pública deve resolver o problema que Londrina enfrenta com a superlotação dos distritos. A Cadeia Pública terá 84 celas (quatro especiais), com capacidade para 324 presos.
‘‘A conclusão da cadeia em Londrina é um compromisso do governo e é considerada prioridade na relação de construções do Estado. Salvo por motivos maiores, como excesso de chuvas, falta de material no mercado ou falta de verbas, a obra estará pronta em agosto’’, diz o assessor de imprensa.