Distritos superlotados têm um dia tranquilo
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de março de 1997
Da Redação 
O clima foi tranquilo ontem nos 2º, 3º e 4º Distritos Policiais de Londrina, agora mais do que nunca superlotados devido à transferência dos 35 presos que estavam no 5º DP, interditado anteontem pelo juiz da Vara de Execuções Penais e corregedor dos presídios, Roberto Ferreira do Valle. Não foi regitrado nenhum incidente.
A única queixa dos policiais plantonistas foi com relação à Polícia Militar, que não fez a guarda externa e tão pouco rondou com viaturas as imediações dos DPs durante a noite. Não vi nenhuma viatura aqui por perto e nenhum soldado chegou na portaria do distrito para saber se tudo estava bem, afirmou o investigador Fábio Agostin, que estava no 2º DP. Os investigadores Benedito Martins e Elizeu Martins, que respectivamente cumpriram as funções de carcereiros no 4º e 3º DPs, também queixaram-se da omissão da PM. Eles enfatizaram que os distritos, agora, mais do que nunca, superlotados, são um barril de pólvora prestes a explodir.
Durante a noite apenas um policial civil fica em cada um dos distritos. Para diminuir a insegurança e as fugas, o juiz corregedor determinou ao comandante do 5º BPM, Marine Ari Burille, a guarda externa nos DPs. Burille disse que somente com a ordem do comando-geral da PM em Curitiba a ordem do juiz poderá ser obedecida. Ele remeteu o documento a Curitiba para o comando apreciar. Burile garante que está fazendo ronda esporádicas nos distritos.
O juiz deu prazo de 15 dias para a Secretaria de Segurança fazer as reformas necessárias no 5º DP. Laudo do Instituto de Criminalística constatou que todos os distritos policiais de Londrina não possuem condições de guardar presos. O 5º DP foi que apresentou as piores condições.
Com a desativação do 5º DP, os outros três distritos dobraram a sua população carcerária. No 2º DP, com capacidade para 16 presos, estão 40; o 3º DP abriga 73 presos, onde cabem 32; e no 4º DP estão amontoados 55 presos, apesar das celas terem capacidade para apenas 24.
Para o delegado chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro, o clima de tranquilidade nos distritos é aparente. Não existe ser humano que suporte viver amontoado, sem nem uma condição de dignidade.


