Polícia, presos e população sofrem com a falta de estrutura e superlotação carcerária nos distritos da cidade
Arquivo FolhaCASA CHEIAPerigo constante de fugas e rebeliões são o resultado da superlotação e falta de pessoal nos distritos policiaisKraw PenasFISCALIZANDOVizinhos do Centro de Triagem da Vila Izabel conferiram ontem como estão as obras do novo Centro que ficará na Travessa da LapaRubens Burigo Neto
De Curitiba
‘‘Bomba-relógio’’ e ‘‘barril de pólvora’’ são dois adjetivos muito usados pela sociedade para definir a situação dos distritos policiais de Curitiba que abrigam presos. Apavorados, os vizinhos destas delegacias se dizem ‘‘cansados’’ das promessas de autoridades de que vão transferir os detentos para outras delegaciais ou para o sistema penitenciário. Com medo de represálias, os agentes policiais têm recorrido ao sindicato da classe para reclamações constantes sobre a insegurança que tomou conta destes distritos.
Há uma semana, quando assumiu o cargo de delegado geral da Polícia Civil, João Ricardo Képes Noronha disse que iria transferir os presos dos distritos da Vila Izabel e da Cidade Industrial, onde ocorreram tentativas de fuga na madrugada de ontem (leia ao lado), para o Centro de Triagem da Travessa da Lapa, no centro de Curitiba. Ontem, porém, Noronha admitiu que isto só será possível a partir do dia 5 de dezembro, quando as reformas no prédio da Travessa da Lapa estiverem prontas. Ele disse que, na sexta-feira passada visitou as obras e exigiu reforço na segurança das celas, que poderão abrigar 120 presos.
Noronha disse que ainda ontem iria soliciar ao Comandante Geral da Policia Militar, Cel. Guaraci Moraes Barros, que disponobilizasse soldados da PM para reforçar a guarda no 3º, 7º, 8º e 11º distritos policiais e no Centro de Triagem da Vila Izabel. ‘‘Não me iludo que, a curto prazo, este problema possa ser resolvido. Estamos preocupados porque a situação é grave e ainda temos dificuldades porque não há vagas no sistema penitenciário.’’ Ele disse que até o meio do ano que vem, com a entrada em operação de mais quatro presídios no interior do Estado (Guarapuava, Piraquara, Cascavel e Maringá), a polícia vai voltar a ter mais controle da segurança nas delegacias da capital.
Noronha também garantiu que ‘‘os policiais civis estão capacitados’’ para atuar nas situações de risco nas delegacias. O delegado geral da polícia civil disse que, na semana que vem, deve se reunir com o secretário de Estado da Justiça, José Tavares, para definir a realização de um trabalho imediato de levantamento dos detentos em D.P.s que tenham cometido delitos de pequena gravidade. na opinião de Noronha, estes presos poderiam cumprir penas alternativas ao invés de lotar as delegacais e as penitenciárias do Estado.

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