Distritos policiais de Curitiba estão lotados
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quinta-feira, 29 de agosto de 2002
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Novo levantamento feito pela Folha revela que 557 presos, na maioria provisórios, ainda aguardam transferência em distritos e delegacias especializadas. Foram conferidas as lotações dos 13 distritos da Capital e das delegacias de Furtos e Roubos, Furtos e Roubos de Veículos, Antitóxicos e Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). Em comparação ao último levantamento realizado recentemente, antes da transferência de presos para a Casa de Custódia na Cidade Industrial de Curitiba, o número de detentos que aguarda transferência caiu cerca de 40%.
Nove unidades prisionais da Capital foram desativadas com a inauguração da Casa de Custódia, recentemente. Juntas, elas abrigavam ontem 40 presos. A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) informou que os detentos que estão nas carceragens desativadas estão em situação de flagrante e são transitórios. Em uma semana, eles devem ser liberados ou transferidos para outros locais.
As demais unidades, cinco distritos e três delegacias especializadas, abrigavam ontem 415 presos. As situações mais preocupantes são as do 3º e do 8º distritos policiais, que ficam respectivamente nos bairros Mercês e Portão. Os dois distritos abrigam juntos 167 presos. A capacidade dos dois é para 80 detentos ao total. ''As condições dos distritos e delegacias com carceragem ainda são preocupantes, precárias'', afirmou o advogado Luiz Nascimento, representante do Conselho da Comunidade e da Pastoral Carcerária. Ele citou problemas como acomodação inadequada, insalubridade, falta de assistência médica e jurídica, dificuldades na realização de visitas familiares.
Por outro lado, a alimentação dos presos melhorou nos últimos dois anos. De acordo com Nascimento, atualmente os detentos recebem comida suficiente e de qualidade. Outro ponto positivo destacado por ele é a diminuição do número de agressões de policiais civis aos presos. ''As denúncias agora são insignificantes'', afirmou Nascimento. Neste semana, o advogado termina a análise do relatório final feito pela entidade em conjunto com o Ministério Público com relação a situação carcerária na Capital. O relatório vai ser entregue à Sesp no mês de outubro.
Nas unidades prisionais com o intuito de abrigar os presos provisórios - Casa de Custódia, Centro de Observação e Triagem (COT) e Centro de Triagem - existe ainda superlotação. As três unidades juntas abrigam 652 detentos e têm capacidade para 540. O delegado Kioshi Hattanda, que presta serviços no Centro de Triagem, admitiu a superlotação em comparação a capacidade original. São 120 vagas e a capacidade é para 70 pessoas. No entanto, ele acredita que a situação dos presos ainda é confortável. ''Esta quantidade é perfeitamente gerenciável'', afirmou.


