Dez meses depois da inauguração da Casa de Custódia de Londrina (CCL) e dois meses depois da desinterdição do 2º e 4º Distritos Policiais (DPs), o problema de superlotação carcerária na cidade continua o mesmo. A CCL, anunciada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública como a solução para o fim da superlotação dos distritos, está trabalhando na capacidade máxima, 320 detentos. O 4º Distrito, com capacidade para 24 presos, estava ontem com 72 e o 2º Distrito, que pode abrigar 64 presos, tinha 121.
O delegado-adjunto da 10Subdivisão Policial de Londrina, Jurandir Gonçalves André, reconheceu o risco mas diz que a Polícia Civil esgotou todas as alternativas de resolver o problema: ''Encaminhamos um ofício para o juiz da Vara de Execuções Penais solicitando o aumento de vagas de quatro para seis presos em cada cela da Casa de Custódia mas o pedido foi negado'', informou. Segundo André, caso a sugestão da Polícia tivesse sido aceita, o número de vagas aumentaria em 160 e os distritos poderiam voltar a trabalhar dentro da capacidade.
A preocupação da Polícia é com a possibilidade de fugas e rebeliões: ''Sempre que se trabalha com superlotação há esse risco e, com as condições do 2º e 4º Distritos, fica cada dia maior'', afirmou. Apenas um investigador fica responsável pela segurança em cada um dos distritos e, mesmo assim, não tem autorização sequer para entrar no setor de carceragem. ''O investigador é um simples observador para pedir reforço se alguma coisa acontecer. Ele não tem como, sozinho, impedir uma fuga ou acabar com uma rebelião'', apontou o delegado.
A superlotação dos dois DPs não é novidade. Em fevereiro o 2º Distrito foi parcialmente interditado pelo juiz Roberto do Valle, da Vara de Execuções Penais, porque estava com 127 presos. Duas semanas depois foi a vez do 4º Distrito ser interditado quando contava com 80 presos. A interdição durou cinco meses.

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