Em visita à região Norte ontem, o delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Adauto Abreu de Oliveira, anunciou que os 3º e 5º distritos policiais de Londrina, nas zonas oeste e norte respectivamente, passarão a funcionar 24 horas. A medida entra em vigor nos próximos dias, assim que os 21 novos policiais civis designados para o município tomarem posse. A previsão é que eles assumam seus postos ainda nesta semana.
Outros oito escrivães também serão remanejados de Curitiba para os plantões diuturnos nos dois distritos e na 10 Subdivisão Policial. Adauto garantiu que nenhum policial será remanejado se estiver sendo alvo de processo na Corregedoria Geral da Polícia Civil.
O funcionamento em tempo integral é um pedido antigo das comunidades próximas aos DPs. Essas regiões concentram grande parte dos crimes registrados, principalmente os atentados contra a vida. Mesmo assim, alguns delegados consultados pela Folha comentaram que é preciso avaliar com cautela. Os críticos apontam que uma outra possibilidade poderia ser o reforço das equipes que atendem no plantão da 10 SDP ao invés de concentrarem esforços em distritos específicos. Isso porque a Polícia Militar, que recebe os chamados emergenciais, acaba encaminhando os casos todos para a sede da subdivisão.
Adauto argumentou que estava dando ''carta branca'' para o delegado-chefe da 10 SDP, Jurandir Gonçalves André, estruturar o esquema da melhor maneira possível, ''conforme as necessidades forem sendo verificadas''. Por sua parte, André ressaltou que a medida é viável porque os distritos ficam longe do centro e a concentração dos plantões apenas na 10 Subdivisão acaba estrangulando o atendimento à população.
Além dessa novidade, Adauto também anunciou um plano ambicioso para qualificação, treinamento e requalificação profissional. Baseado na descentralização da capital para o interior, os policiais civis da região começarão a frequentar cursos focados no atendimento ao público, noções de investigação e interrogatório e de trato com a imprensa. Com isso, a Secretaria Estadual de Segurança Pública, comandada interinamente pelo governador Roberto Requião (PMDB), pretende diminuir custos e evitar que as cidades fiquem ainda mais desfalcadas em seus efetivos.
Os cursos começarão já em março pelas subdivisões de Londrina e Rolândia. Outra medida de aproximação da Polícia Civil com a comunidade é a criação de um programa de assistência social às vítimas e familiares de vítimas.
Na mesma linha, o delegado geral da PC confirmou a criação em Ibiporã (14 km a leste de Londrina) do campus da Escola Superior da Polícia Civil do Paraná numa área doada pela prefeitura, portanto, sem ônus para o Estado. Afora servir para a requalificação, a idéia é que a escola irá facilitar o preenchimento dos quadros nas subdivisões das regiões Norte, Nordeste e Noroeste. ''Temos hoje pouco mais da metade do efetivo prevista na década de 70'', revelou Adauto.

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