Distrito já foi celeiro da região
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de outubro de 1997
Alexandre Sanches 
Londrina
Dorico da SilvaTestemunhaVilma Rodrigues, moradora da casa onde funcionou a estação ferroviária, viu o progresso e a decadência do distritoParte da história de Jataizinho está sendo apagada da memória da população. Prédios antigos dão espaço a novas construções e praças e monumentos são destruídos por vândalos. Mas o que perde cada vez mais importância é o Distrito de Frei Timóteo, que hoje reúne cerca de 20 pessoas em três a quatro casas.
Um dos principais núcleos do Norte do Paraná no final do século passado, reconhecido inclusive como importante entreposto comercial, Frei Timóteo conheceu o progresso e a decadência. Hoje, poucas casas resistem no local, dividindo espaço com uma capela católica e uma igreja evangélica. Em menos de 20 anos, houve um decréscimo populacional de 80%.
A estação ferroviária foi transformada na casa de Vilma de Souza Rodrigues, 35 anos - 16 em Frei Timóteo -, mulher de um ferroviário. Com a privatização da Rede Ferroviária Federal S/A, ela acredita que terá que mudar para Londrina, onde o marido está trabalhando atualmente. Ela garante ter conhecido o progresso e a decadência do local.
Aqui ao lado tinha um monte de casas que foram derrubadas há alguns anos. Sem trabalho, as pessoas foram se mudando. Se eu tiver que mudar daqui vai ser um tormento, pois sempre fui criada no campo. Terei que deixar minhas cabeças de gado, cavalo e galinhas, que crio em volta de casa.
Durante o dia, ela passa sozinha em casa. Os quatro filhos - de 9 a 15 anos - saem para estudar de manhã e retornam somente no final da tarde. É ruim ficar sozinha. Aqui já teve farmácia, vendas, a estação era movimentada. Hoje, é difícil vir alguém aqui e são poucos os vizinhos, reclama.


