Distrito feminino causa problemas
Silvana Leão
De Londrina
Receber mulheres e fazer o papel de distribuidor de presos para os demais distritos e Prisão Provisória. Estes parecem ser os únicos diferenciais do 2º Distrito Policial (DP) de Londrina, localizado na Vila Santa Terezinha (região leste), que de resto vive os problemas comuns a todos os outros, como superlotação e carência de funcionários.
Ontem o DP abrigava 63 homens, 50 mulheres e dois bebês de poucos dias de vida (as gêmeas Vitória e Camila, filhas da detenta Antonieta Grudin Góes, que passam o dia com a mãe), em 13 celas que, teoricamente, poderiam abrigar 24 homens e 28 mulheres. Na ala masculina, há celas com até 13 presos, que se revezam para dormir.
Agora até que a situação está controlada. Houve uma época em que nós chegamos a ficar com 72 mulheres, conta a delegada Waldete Testoni. Ela explica que, pela falta de mais lugares para receber detentas, os juízes estão agindo rápido nos flagrantes de mulheres e liberando-as para responderem o processo em liberdade, desde que comprovem residência fixa, não possuam antecedentes e não tenham cometido crime hediondo, como tráfico de drogas.
O tráfico, porém, é o principal crime entre todos os detentos do 2º DP. Em segundo lugar vem o furto. A delegada explica que por ser o distrito mais próximo à central da Polícia Civil, a 10ª Subdivisão Policial (SDP), é para lá que são encaminhados todos os casos de flagrantes feitos durante a noite.
Acredito que seja o distrito mais difícil de administrar, justamente pela presença das mulheres, que brigam mais e reclamam muito, diz Waldete Testoni, lembrando que as presas pedem constantemente para ir ao médico. Elas também vivem pedindo para que sejam trazidos para cá os maridos e parentes que estão em outros distritos, mas não entendem que eu não posso lotar ainda mais as celas.
Outra situação particular do 2º DP é a presença, de tempos em tempos, de bebês na carceragem. No mês de maio, os meios de comunicação divulgaram a notícia de que três bebês (dois deles, recém-nascidos) estavam vivendo com as mães em uma cela de pouco mais de 10 metros quadrados. Depois de muita polêmica em torno do assunto, as detentas foram encaminhadas para a Penitenciária Feminina do Estado, em Piraquara (região metropolitana de Curitiba), onde estão alojadas na ala com creche.
Atualmente, a presença das gêmeas Camila e Vitória muda um pouco a rotina do distrito. A própria delegada admite que fica apreensiva. Mesmo estando em cela separada e sabendo que a maioria aqui não faria nada contra as crianças, a gente se preocupa com a segurança delas. E ao que tudo indica, a situação vai continuar se repetindo. Atualmente há mais quatro grávidas no DP.
Uma destas gestantes é Magda Adriana Salvador, 25 anos, grávida de cinco meses. Condenada há dois anos por tráfico de drogas, ela já cumpriu um ano e seis meses. Acredita, portanto, que terá o filho em liberdade. Para Magda, que já tem um filho, é normal passar a gravidez dentro de uma cela.
Na ala onde, segundo a delegada, estão as detentas menos tolerantes, a vaidade das 27 mulheres é visível. Ontem de manhã, Zenaide Gomes Tomás, 40 anos, manicure presa por tráfico, se concentrava em maquiar Valquíria Regina de Souza, de 22 anos, presa há 20 por porte de maconha. Era dia de visita, e elas caprichavam no visual. É para esperar minha tia, tentou convencer Valquíria. Outras mostravam as unhas feitas, enquanto aproveitavam para reclamar da constante falta de água.
No lado dos homens, onde a liberdade é ainda menor ao contrário das mulheres, eles não podem transitar pelo corredor em frente às celas a principal reclamação é a superlotação. O hall que dá acesso a um conjunto de celas abriga, desde sexta-feira, o deficiente físico Marcelo Lopes, de 21 anos. Ele ficou paraplégico há um ano e sete meses, depois de levar um tiro, e foi preso por porte ilegal de arma. Comprei o revólver à toa, limitou-se a dizer.Além da superlotação, divergências entre presas atrapalham administração do 2º DP
Fotos: Paulo WolfgangDIFÍCIL CONVIVÊNCIACinquenta mulheres e dois bebês dividem as celas da ala feminina do 2º DP: Elas brigam mais e reclamam muito, diz delegadaLopes, portador de deficiência: preso por porte ilegal de armaSetor masculino: detentos precisam se revezar para dormir





