Os últimos 24 presos que ainda estavam na carceragem do 2º Distrito Policial (DP) de Londrina (Zona Leste), foram transferidos na tarde de ontem. Ontem, encerrou o prazo dado pelo juiz-corregedor da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, para que o local fosse esvaziado. O 2º DP foi interditado em setembro, por causa da superlotação. Na época, eram cerca de 200 detidos numa área para 68. A estrutura estava comprometida.
O local foi esvaziado apenas para que sejam realizadas as obras de finalização da reforma do distrito. Segundo o delegado do DP, Fátimo Siqueira, faltam alguns retoques e a pintura. ''É possível que até o final da semana já esteja tudo pronto'', comentou ele. Os 23 presos foram distribuídos entre delegacias de cinco cidades da região (Ibiporã, Cambé, Rolândia, Bela Vista do Paraíso e Porecatu) e devem voltar após a reforma. Apenas um detento, já condenado, foi levado ao 5º DP (Zona Norte) por pendências na documentação nos próximos dias, ele deve ser encaminhado à Penitenciária Estadual de Londrina (PEL).
''Pensamos em pedir prorrogação do prazo (para o esvaziamento), mas preferimos não fazê-lo'', afirmou o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André. No final da semana passada, a intenção da chefia era levar os detidos do 2º Distrito e parte dos do 5º DP para a carceragem do 4º DP (Zona Sul), que abriga apenas mulheres. As 38 detentas do local seriam levadas ao 3º DP (Zona Oeste), que foi submetido a reforma. A iniciativa foi abortada após uma vistoria no 3º DP, realizada por Roberto do Valle.
O juiz sugeriu uma série de mudanças na carceragem recém-reformada, como instalação de torneiras em todas as celas e vidros na área destinada ao berçário. ''O distrito estava com as celas iguais as de antigamente, com a estrutura para abrigar apenas homens. Sugeri mudanças para que o local receba mulheres'', justificou Valle. Segundo André, as alterações são simples e devem ser concluídas até hoje.
Em seguida, o juiz-corregedor deverá fazer outra vistoria no 3º DP para autorizar a transferência. Com isso, quatro distritos da cidade voltarão a receber presos. Depois da inauguração da Casa de Custódia de Londrina (CCL), no final de 2001, a secretaria de Estado de Segurança Pública do governo anterior havia determinado a remoção das celas do 3º e 5º DPs. Segundo a Polícia Civil, a situação é temporária e todas as carceragens serão desativadas quando for construído o Centro de Detenção Provisória, que terá capacidade para 600 detidos.
A prefeitura está realizando um laudo de avaliação do terreno onde será erguido o presídio, na zona sul, para ser definido o valor da desapropriação. Em seguida, o projeto de doação da área para o estado será encaminhado para a Câmara, o que deve acontecer em dezembro.
Ontem, 11 presos de Londrina foram transferidos para a Colônia Penal Agrícola, sete da CCL e quatro da PEL. Com o retorno de mais dois presos da PEL para Curitiba (que vieram para comparecer a varas criminais) e a vinda de um detento da capital para a CCL, a PEL estava, ontem à tarde, com 564 detidos quando sua capacidade é 504. A CCL estava com 434 presos num espaço para 288. O 5º DP, alvo de uma rebelião no sábado, abrigava 53 homens numa área para 24.

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