A Associação de Moradores e Agricultores do distrito da Warta (zona norte) está em campanha para tentar eleger, no próximo ano, através do voto, o novo subprefeito. O presidente da entidade, Anderson Marcelo Choucino, 21 anos, encabeça um abaixo-assinado pedindo o cumprimento da lei municipal 5.696, de março de 1994, que estabelece normas para a consulta prévia à população para escolha dos administradores distritais e regionais.
‘‘Queremos escolher o próximo subprefeito’’, diz Choucino. Ele vai cobrar do prefeito eleito, Antônio Belinatti (PDT), o cumprimento da promessa feita no primeiro turno das eleições. ‘‘Ele distribuiu panfletos e assumiu por escrito o compromisso de garantir a eleição.’’
Com dados de uma pesquisa feita no período eleitoral, Anderson Choucino assegura que 92% dos moradores de Warta são favoráveis à eleição. Para ele, o cumprimento da lei põe fim às nomeações feitas como ‘‘pagamento’’ ao apoio dado durante o período de campanha eleitoral. ‘‘Os moradores querem escolher porque sabem quem é idôneo, quem tem bons interesses.’’ Anderson coletou cerca de 250 assinaturas do total de 1.200 moradores do distrito.
Ontem à tarde, foi fixada faixa na sede da entidade com a inscrição Movimento de Paz e Democracia. A justificativa: o tio de Anderson, Aliceu Choucino, que já foi subprefeito, é contrário ao movimento. Segundo o sobrinho, Aliceu acredita na hipótese de ocupar o cargo, através de nomeação sem consulta à população. A falta de consenso entre família já andou causando pequenos atritos entre os grupos pró e contra eleição. Anderson prefere que não sejam divulgados os problemas e levanta a faixa do movimento pela paz. Aliceu Choucino não foi encontrado ontem pela Folha.
Caso seja aprovado pela Câmara e sancionado pelo prefeito Luiz Eduardo Cheida (PT), o projeto de lei apreciado ontem em segunda discussão pelo Legislativo deve pôr fim à polêmica. De autoria dos vereadores Célio Guergoletto (PMDB) e Roberto Kanashiro (PSDB), o projeto introduz alterações na lei que estabelece normas para a consulta prévia à população para a escolha dos subprefeitos.
O projeto estabelece que a eleição seja realizada, impreterivelmente, até o dia 15 de fevereiro do ano posterior ao das eleições para prefeito e vereadores. Mais: que os candidatos possuam título de eleitor nas seções eleitorais dos respectivos distritos ou regiões onde será realizado o pleito. ‘‘Isso é para evitar a negociação do cargo’’, diz Guergoletto.
O vereador pretende cobrar, ‘‘se preciso judicialmente’’, o cumprimento da lei pela próxima administração. Ele afirma que o prefeito Luiz Eduardo Cheida ‘‘levou com a barriga’’ essa questão, nomeando subprefeitos de apenas quatro dos oitos distritos rurais onde a escolha aconteceu através do voto: Espírito Santo, Maravilha, Lerroville e Irerê.
Conforme determina lei municipal, os três candidatos mais votados comporão lista tríplice a ser enviada ao prefeito que, no prazo de 15 dias, escolherá um deles.

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