Distribuição de seringa é barrada pela Câmara
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2001
Emerson Dias<Br>De Londrina 
A proposta polêmica que prevê a distribuição de seringas a usuários de drogas esquentou ontem a sessão da Câmara de Vereadores de Londrina. Durante a discussão do projeto, uma portadora do HIV comoveu os presentes falando sobre os problemas que enfrenta devido às drogas.
Mesmo depois de sofrer diversas alterações desde sua criação, em junho deste ano, a proposta que oferece ''atividades de redução de danos entre usuários de drogas injetáveis'' (visanto reduzir a transmissão de doenças como a aids) foi barrada por mais uma emenda supressiva contra os artigos 2º e 3º, especificamente as que autorizam a distribuição de seringas descartáveis.
Para tentar esclarecer a importância do projeto, a ativista da Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia), Silvana Gomes dos Santos, falou ao plenário sobre como contraiu o HIV. ''Peguei o vírus do meu marido, que era usuários de drogas. Fiquei sabendo disso somente anos depois, quando descobri que meu filho tinha aids'', disse Silvana, que perdeu o companheiro e um menino de apenas um ano e dois meses.
A ativista lamentou a visão dos vereadores sobre a proposta e apresentou números que comprovam o crescente índice de pessoas que contraem o vírus reaproveitando seringas. A drogas são responsáveis por 38,2% da mulheres portadoras do HIV. A transmissão vertical (passada de mãe para filho) chega a 36% das crianças pelo mesmo motivo.
O projeto deverá voltar a ser discutido na segunda-feira, em sessão extraordinária.


