Distribuição de sacaria verde aumenta coleta
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terça-feira, 29 de março de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Quase quatro meses após a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) voltar a distribuir sacos verdes para a coleta de materiais recicláveis, as cooperativas de recicladores perceberam um aumento significativo. A reportagem conversou com dirigentes das sete cooperativas que atuam no município, que relataram que o acréscimo na coleta varia de 30% a 200%.
A presidente Coocepeve, Sandra Araújo Barroso Silva, informa que o volume de material reciclável chega até a triplicar. "Antes a gente estava coletando 30 toneladas. Agora coletamos de 70 a 90 toneladas", explica. Ela conta que no período em que a distribuição do saco verde foi interrompida, ficava três dias por semana sem serviço e os cooperados eram dispensados, porque não havia material para fazer a separação. A situação é semelhante às registradas em outras cooperativas de recicladores da cidade.
Esse aumento de volume fez com que as cooperativas precisassem de mais pessoas para atuar na separação do material. Em algumas delas a equipe chegou a dobrar. Uma dessas pessoas é Andréa Cardoso Lopes, de 35 anos, que veio de São Bernardo (SP). Ela conta que antes de vir a Londrina trabalhava em uma fábrica de artigos de couro. "Os ganhos que eu estou tendo aqui são maiores do que os de lá. Embora Londrina também seja uma cidade de custo de vida alto, consigo economizar mais aqui", apontou.
Sua colega, a recicladora Vera Lúcia Evangelista da Silva, de 47, relata que na época em que o saco verde foi cortado, atuava na coleta do material nas ruas. "As pessoas deixavam de entregar os recicláveis porque não tínhamos o saco verde", reforça.
CRISE
O aumento do volume coletado poderia ser motivo de comemoração, mas chega em um momento de crise, em que os valores pagos pelas empresas que compram o material segregado sofreram uma queda brusca. Como exemplo, o presidente da Cooper Região, Zaqueo Vieira, aponta que o quilograma do caco de vidro estava R$ 0,10 no ano passado e hoje está R$ 0,04. O mesmo peso de garrafas pet, que no ano passado valia R$ 1,90, hoje vale apenas R$ 1,20. Até a sucata de ferro, que em 2015 valia R$ 0,22, hoje só pagam R$ 0,07. O plástico comum passou de R$ 0,90 a R$ 0,20. "O saco verde ajudou a equilibrar essa queda dos valores. O salário dos trabalhadores nas cooperativas ficou estabilizado com um salário pouco acima do salário mínimo, mas que podem chegar a R$ 1,3 mil", destacou.
Segundo informações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) são distribuídos, semanalmente, cerca de 100 mil sacos verdes.
Na época em que a distribuição da sacaria foi retomada, a prefeitura divulgou que coletava 980 toneladas por mês de materiais recicláveis. O último dado levantado apontou que em janeiro deste ano foram coletadas 1.200 toneladas, segundo a assessoria de imprensa da CMTU. A nota ressalta que além do saco verde, é preciso considerar as festas de final de ano, que interferem no volume consumido.


