Alimento para o espírito e para a alma. Assim o pastor Sebastião Vieira, da Igreja do Evangelho Quadrangular do Jardim Indusville (Zona Norte), define os cultos das quartas-feiras à tarde, que desde outubro do ano passado terminam invariavelmente em distribuição de sacolas de alimentos. Com esta medida, a igreja tem conseguido atingir dois de seus objetivos: a ajuda a famílias carentes e o aumento no número de fiéis.
Nas sacolas recebidas pelas famílias vão pacotes de dorso de frango (parte posterior da ave, de onde é retirado o filé, sobrando os ossos com um pouco de carne) doados por um abatedouro e legumes fornecidos por atacadistas da Ceasa. A condição para ter direito ao benefício é ter feito cadastro no culto da semana anterior e participar de toda a pregação.
''Sem dúvida este é um trabalho que tem contribuído muito para o crescimento e para a frequência na igreja'', admite o pastor, calculando em aproximadamente 20% o aumento de frequentadores nos cultos. Para Vieira, a medida se justifica pois, segundo ele, os esforços devem ser para tornar o templo algo importante para a comunidade onde está inserido. ''Costumo dizer que uma história só pode ser contada quando ela existe.''
De acordo com o pastor, no início do projeto havia 35 famílias cadastradas, logo este número passou para 48, depois para 63 e hoje já são quase 180, incluindo 12 que não são da Quadrangular, mas recebem o benefício no pátio da igreja. ''Há também pessoas que precisaram da cesta por um período, mas agora já conseguiram dar um rumo em suas vidas e puderam repassar o benefício para aqueles que precisam'', relata.
A dona-de-casa Jaqueline Regina Vicentini, que mora com a filha de três anos, começou a pegar a cesta há menos de dois meses. Também foi recentemente que ela passou a frequentar os cultos mais assiduamente. Jaqueline afirma, porém, que isto nada tem a ver com a distribuição dos alimentos, mas sim a necessidades pessoais. O conteúdo da sacola, segundo ela, ajuda nas refeições da semana toda.
Para a telefonista Vanda Vieira da Silva, que frequenta a igreja há cerca de 10 anos, a distribuição dos alimentos ao final do culto faz bem a todos: ''Tem muita gente precisando ouvir coisas boas'', opina. Vanda afirma que a distribuição das sacolas não mudou a sua rotina de orações. ''Continuo vindo sempre que posso.''
O analista financeiro e coordenador do projeto, Michel Machado, revela que 50 igrejas evangélicas de Londrina, seis de Cambé e três de Ibiporã, além de um igreja católica, são beneficiadas com a entrega de 10 mil quilos de dorso de frango por semana. Mas muitas outras também poderiam receber o alimento: ''A Fundação Paulo Muniz, que faz a doação, tem condições de entregar até 20 mil quilos. Para receber, basta que as igrejas demonstrem a intenção de desenvolver um projeto social ou mostre que o alimento vai complementar outro já existente.''

Serviço:
As instituições interessadas em receber dorso de frango devem entregar ofício com a solicitação no Hotel Sumatra (Avenida JK com Souza Naves, Área Central), em nome de Michel Machado.

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