Alexandre Sanches
De Londrina
A falta de emprego ou a necessidade de mantê-lo faz que muitas pessoas se sacrifiquem. O mais comum dos pais ‘‘ausentes’’ é o caminhoneiro, que é obrigado a viajar vários dias por todos os cantos do país.
É o caso de Davi Barbeta, 59 anos e há 41 nas estradas. Com quatro filhos - três deles casados -, Barbeta afirma ter criado todos com a renda do caminhão. ‘‘Este foi o meu primeiro emprego depois de sair da roça. Hoje não sei fazer outra coisa.’’
Ele não reclama de ficar longe da família boa parte dos dias, inclusive feriados e datas festivas. ‘‘Tem hora que é difícil. Mas na estrada você cria bastante amigos.’’ Aposentado, Barbeta não conseguiu parar quieto por muito tempo. Mesmo com os fretes baixo, ele consegue engordar um pouco o orçamento doméstico mensal.
Dos quatro filhos, Barbeta não assistiu o nascimento de dois deles porque estava viajando. A filha mais velha ele conheceu quando ela estava com três dias de vida. ‘‘Hoje eu não consigo me lembrar como meus filhos eram quando criança’’, desabafa. ‘‘Mas não posso reclamar do meu trabalho, pois ele foi muito importante. Nunca deixei faltar nada em casa como motorista.’’
Na última viagem que fez, Barbeta ficou mais de 20 dias pelas estradas do Norte e Nordeste do Brasil, carregando, descarregando e buscando novos fretes. Ele retornou no final da semana passada e já se prepara para sair novamente, de preferência para a região norte, onde os fretes são melhores. ‘‘Ficar sozinho é difícil. Já passei dois dias sem ver ninguém. Tem que ter muita paciência.’’
Com os filhos adultos, Barbeta afirma que eles nem se tocam da distância em que o pai acaba ficando. ‘‘Para eles, que já acostumaram, quando viajo para Belém (PA) é como se fosse para uma cidade próxima. Quem mais sente são os netos.’’
A distância, porém, não conseguiu acabar com a união familiar. Sempre que está em Londrina, Barbeta é cobrados pelos filhos para ir visitá-los. ‘‘Aproveitamos todos os momentos juntos.’’

mockup