Conversando com a Irmã Dionéia Lawand, diretora do Colégio Mãe de Deus, é possível perceber como a vida levada extremamente próxima a Deus traz calma e serenidade às pessoas. Prestes a passar um ano na cidade alemã de Schoenstatt, e sem saber qual será seu destino depois disso, ela não se diz preocupada com a viagem (marcada para o dia 29) e aceita a distância do trabalho, família, amigos e alunas com naturalidade.
''Não vejo esse momento como uma ruptura com nada. O objetivo e o trabalho que realizei vão continuar com a Irmã Nelly (nova diretora do colégio). Vou sentir saudades das pessoas, principalmente das alunas e colegas de trabalho, mas estou indo rumo a algo que nos une no amor de Deus e Maria'', diz ela, com a tranquilidade de quem aprendeu a aceitar os desígnios divinos.
Durante sua estada na Alemanha, Irmã Dionéia irá participar do Seminário Internacional do Instituto das Irmãs de Maria, do qual ela faz parte, com 200 santuários em todo o mundo, sendo um deles em Londrina, localizado dentro do Colégio Mãe de Deus.
''Para mim, foi um grande presente receber o convite para participar. Schoenstatt é o lugar onde está sepultado o fundador do nosso movimento, padre José Kentenich, e onde foi construído nosso primeiro santuário. Para mim será uma volta à fonte'', afirma.
Além da peregrinação de visitas a lugares importantes para o movimento das Irmãs de Maria, Irmã Dionéia viverá um período de aprimoramento espiritual. ''É a possibilidade que temos de penetrar mais na nossa espiritualidade e voltar transbordando de fé, revigoradas em nosso compromisso de ser a presença de Maria no mundo'', comenta.
Depois da viagem à Alemanha, Irmã Dionéia não sabe ainda se volta à Londrina ou se será convidada a trabalhar em outra cidade. ''Não temos cargos vitalícios e isso é importantíssimo para o aperfeiçoamento, para que a obra seja enriquecida. Entrego essa decisão para a Providência. Mas quero deixar para cada pessoa de Londrina meu agradecimento pela acolhida que tive quando cheguei e por todos os anos que vivi aqui. Se pudesse, cumprimentaria cada um, cada aluna, ex-aluna e seus pais, cada funcionário'', diz.
Nascida em São Paulo, em uma família de seis filhos, Irmã Dionéia ingressou na vida religiosa aos 17 anos, quando era catequista e conheceu o Movimento Apostólico de Schoenstatt.
''Falo que não fui eu quem escolhi a Deus, mas Ele que me escolheu. Por isso digo às famílias para que aceitem a decisão de um filho seguir a vida religiosa. Minha família me apoiou e hoje tenho outra irmã que também está aqui no Mãe de Deus. A gente descobre a vontade de Deus por uma inquietação interior, que leva a tomar uma decisão. Depois, essa missão é comprovada com a realização que sentimos no dia-a-dia'', relata a irmã.
O convite para trabalhar no colégio Mãe de Deus veio em 1980. ''Essas decisões são feitas pelo Movimento, levando em conta a necessidade do lugar e a vocação de cada irmã. Temos trabalhos na área da educação, da saúde, das pastorais. Nada é imposto ou obrigatório. Comecei dando aulas de inglês e ciências, depois passei à coordenação e, em 1993, assumi a direção do colégio'', conta.
Desde então, ela se desdobra para fazer o trabalho de diretora e religiosa e ainda manter a convivência com as alunas. ''Gosto de estar próxima delas. Nosso objetivo maior é a formação plena da pessoa, para que ela possa atuar criativamente na sociedade, na promoção da dignidade humana e que seja eficiente em sua área de atuação profissional. Assim, podemos contribuir para o crescimento da sociedade. Estou levando para Schoenstatt uma lista com o nome de todas as alunas e funcionários do colégio. Estaremos distantes fisicamente, mas perto em oração.''

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