Alexandre Sanches
De Londrina
O advogado Márcio Mitiu Itiama, de Londrina, que trabalha em sociedade com o profissional Ricardo Morimitsu Oguido, diz que 75% dos clientes que ambos mantêm são dekasseguis, japoneses ou descendentes.
‘‘Hoje, com a mudança de comportamento de trabalho no Japão, muitas famílias foram inteiras para lá. Há escolas e casas voltadas para estas famílias’’, salienta.
Mas ele admite que muitas pessoas procuram a ajuda do escritório para resolver problemas litigiosos.
‘‘No início da febre dos dekasseguis, o homem viajava e deixava a família. A distância e a solidão faziam com que ele procurasse outra pessoa para desabafar. Nisso, formava outra família e acabava pedindo a separação.’’
Em muitos dos casos, o pedido é feito durante uma viagem de retorno do pai ao Brasil. Itiama afirma que as partes envolvidas demonstram, na maioria das vezes, que não sentem a separação.
‘‘A distância torna os relacionamentos familiares mais frios, o que facilita muitas separações. Mas não posso dizer que o afeto do filho diminui com isso. A dor deve ser grande. Não há como mensurar o sofrimento destas pessoas’’, ressalta o advogado.
Itiama salienta que processos de separação ficam caros para quem está no Japão. O custo processual internacional é inviável, pois há necessidade de pagar intérpretes.
‘‘No Brasil, um processo litigioso demora em torno de um ano e meio para ser resolvido. No Japão, este tempo pode duplicar ou demorar ainda mais. É difícil a gente definir um prazo, pois no Japão tudo é muito burocrático.’’

mockup