Dissidentes querem terras do Pará
Famílias de lavradores sem-terra brasiguaios (agricultores que há 20 anos emigraram para o Paraguai em busca de melhores condições de vida, não conseguiram êxito, e agora retornam ao Brasil) estão acampadas desde a noite de anteontem na sede da Unidade Avançada do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - Incra, em Cascavel. Elas esperam ser assentadas no sul do Pará, onde o Incra dispõe de grande estoque de terras.
O grupo de 25 famílias (90 pessoas no total) forma uma dissidência do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que tem recusado a oferta de terras naquele estado. O MST alega que a região é palco constante de violência e não há infra-estrutura. O movimento alega ainda que há áreas no próprio Paraná para assentamento.
As 90 pessoas são oriundas da Fazenda Mitacoré, em São Miguel do Iguaçu (53 km de Foz do Iguaçu). O grupo participou da ocupação da Fazenda Santa Gertrudes, em Mariluz (35 km a sudeste de Umuarama), onde ocorreu despejo no início de julho. Entre as 350 famílias despejadas, 170 foram cadastradas pelo Incra para assentamento no Pará.
Edson MazzettoBem-vindosCrianças
brincam no
parquinho
existente
aos fundos
da sede
do Incra
em Cascavel;
instituto
não ofereceu
resistência
a ocupação
das 25
famíliasA maior parte se dispersou, mas as 25 acampadas na sede do Incra (sem resistência do órgão) mantiveram a disposição de seguir para o Norte do País. Um dos líderes do grupo é Genair Simplício, 37 anos, oito filhos. A invasão da Santa Gertrudes foi uma bucha (ação malsucedida) em que o MST nos meteu, definiu. Genair, que morou 20 anos no Paraguai, disse que o MST havia assegurado que a terra já estava nas mãos do Incra, o que não era verdade. As famílias teriam deixado a Fazenda Mitacoré por não concordar com invasões, nem com a recusa do MST para as terras oferecidas pelo Incra no Pará.
Para nós que estamos na miséria, tanto faz, o que queremos é criar os filhos no serviço, e não na cidade para virar ladrão, acrescentou Luiz Medina, 37 anos, três filhos, 10 anos no Paraguai, onde foi arrendatário e peão de fazenda. Antonio Alves, 35 anos, 6 filhos, brasiguaio durante 25 anos, disse que notícias sobre a violência no sul do Pará não assustam quem já enfrentou boca-quente no Paraguai. Ele não vê diferença entre terra lá em cima ou aqui no Paraná.
O chefe do Incra em Cascavel Valdir Dorini afirmou que a maior dificuldade para assentar as famílias no Pará (a mais de 3 mil km de Cascavel) é o transporte. Segundo Dorini, a região para assentamento fica a 350 quilômetros de Marabá, o principal foco de conflitos. A infra-estrutura e programas de apoio são iguais aos ofertados no Paraná.Edson MazzettoTerra prometidaO grupo de 90 pessoas está acampado na sede do Incra de Cascavel esperando pelo transporte para o assentamento no Norte do PaísPaulo Pegoraro





