'Disseram que ele tinha dois anos de vida'
Curitiba - Vitor Giovani Guidi era uma criança saudável até que em 1998 começou a apresentar problemas de saúde. Depois de consultas com diversos especialistas a família viajou para a Argentina para uma avaliação final do caso dele.
O pai, Adolfo Guidi, voltou para o Brasil com uma sentença de morte para o filho. ''Disseram que ele tinha pouco mais de dois anos de vida'', comenta. Dez anos depois Vitor é um jovem forte que superou todas os prognósticos que recebeu.
Quando voltou ao Brasil em 1998 o engenheiro decidiu que não ia desistir de Vitor. Desempregado - a empresa na qual ele trabalhava fechou e demitiu inúmeros funcionários - Guidi passou a viver de bicos e a dedicar a maior parte do tempo à biblioteca do curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná. ''Comecei a estudar tudo sobre a doença, sobre o funcionamento do corpo humano'', conta. A pesquisa de Guidi teve resultado. Ele descobriu qual enzima teria que repor no organismo do filho para reduzir os danos causados pela doença.
Começou então uma nova luta. Guidi foi em busca da beta-galactose, uma enzina usada na década de 1960 na produção de sorvete nos Estados Unidos, mas que caiu em desuso depois do surgimento de substâncias sintéticas. A busca desesperada do pai foi notícia na FOLHA em setembro de 1999. E Guidi acabou encontrando um fornecedor da substância. Graças ao uso da beta-galactose a evolução da doença de Vitor praticamente parou. E ele reverteu algumas das sequelas que a doença deixou.
Hoje o rapaz tem um extenso dano cerebral e dificuldades de se locomover, mas já vive há mais tempo que o estipulado pelos médicos. ''Reverter esse quadro eu sei que não vou conseguir, mas meu filho está aqui, vivo e feliz'', diz.





