Denúncias, reclamações, pedidos de informações e sugestões. Estas são algumas das facilidades que a população pode usufruir através de números telefônicos de prestação de serviços públicos. Eles são considerados o elo de aproximação entre a população e os órgãos estatais, meios de comunicação diretos para expor dúvidas e obter soluções.
Na Prefeitura de Curitiba, por exemplo, o 156 é o serviço de informação por telefone mais procurado pelos contribuintes. Em 1998, foram registradas cerca de 129 mil ligações. Na maior parte dos casos, diz o coordenador do serviço, Luiz Esmanhoto, quem telefona quer informações sobre acesso às repartições da municipalidade. ‘‘O 156 funciona como interlocutor da vontade da população e as secretarias’’, diz Esmanhoto.
Mas o folclore também está presente. O 156 já registrou reclamações de poluição sonora causadas por um cachorro, o pedido de uma pessoa para que alguém da Prefeitura retirasse um telefone celular que caiu no bueiro e o atrevimento de um cobrador de ônibus que acariciou as mãos de uma usuária na hora de dar o troco.
São situações que exigem jogo de cintura de quem está do outro lado da linha. De acordo com Luiz Esmanhoto, em casos inusitados, os atendentes são orientados a explicar ao reclamante que a Prefeitura não pode intervir em certas situações e que a Justiça e outras instâncias são os foros ideiais para discutir os problemas.
Na Polícia Militar, através do 324-8190, o público pode fazer denúncias, inclusive contra a própria corporação. O coronel Itamar dos Santos, que chefia a 2ª seção do Estado Maior da PM, a chamada PM-2, revela que 40% das ligações feitas são reclamações contra policiais. Outro problema bastante questionado através do telefone é o tráfico de drogas na cidade, que reúne 30% das denúncias.
O serviço de disk-denúncias da PM serve como um braço a mais no patrulhamento das ruas. ‘‘O serviço telefônico é essencial, pois não temos condições de fiscalizar tudo o que está acontecendo’’, diz o coronel Itamar. No Rio de Janeiro, cita o policial, cerca de 50% dos casos de sequestro são resolvidos através de denúncias anônimas feitas por telefone. ‘‘Quando bem usado pela população, o serviço pode ser eficaz’’, observa o coronel. (D.V.)

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