Disque-Idoso recebe 50 denúncias por mês
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sexta-feira, 30 de abril de 2004
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Criado no final do ano passado, o Disque-Idoso tem recebido em média 50 denúncias mensais de maus tratos contra idosos em Londrina. Do total, 40% são confirmados e acompanhados por equipes da Secretaria Municipal do Idoso, responsável pelo serviço. Os maiores denunciantes são profissionais de Unidades Básicas de Saúde, vizinhos e familiares. Na maior parte dos casos, os agressores são parentes do idoso.
Para a assistente social Luci Mara Resende, a postura da secretaria municipal é encaminhar o idoso para outros familiares. ''Somente em último caso eles vão para casas de repouso ou asilos'', revelou. Recentemente, Londrina tem registrado casos de locais inapropriados que abrigavam idosos. O Asilo Ebenézer e uma casa de repouso no Jardim Aeroporto (Zona Leste) foram preventivamente interditados pela Vigilância Sanitária por apresentarem condições inadequadas de habitação.
Segundo a secretaria municipal do Idoso, Genilda Stábile, os casos mais comuns de exploração são de filhos que ''tomam'' a aposentadoria e tratam os idosos com descaso. ''Alguns acham que o idoso não tem o direito de participar das discussões familiares. Eles ficam abandonados dentro da própria casa'', revelou a secretária, que destacou, no entanto, que casos de violência física são raros.
Para Genilda, a maioria dos casos é resolvida administrativamente, com ''orientações aos familiares.'' ''Quando não há acordo, fazemos o encaminhamento à Promotoria de Defesa do Idoso'', afirmou Genilda. A equipe do programa é formada por assistentes sociais e estagiários de serviço social e direito. As denúncias também podem ser feitas diretamente ao promotor Tiago Gerardi. Para ele, o número de denúncias ''não é grande se for considerado o número de habitantes'' da cidade. ''Se os casos não forem resolvidos administrativamente, a promotoria pode entrar com uma ação contra os responsáveis'', destacou.
Para Genilda, o aumento das denúncias é reflexo de uma ''maior conscientização'' sobre o tema, devida também à implantação do Estatuto do Idoso. ''Infelizmente, a tendência é (o número de denúncias) aumentar ainda mais, já que o número de idosos tem aumentado'', avaliou.
Na semana passada, dois domicílios coletivos onde residem idosos foram visitados por fiscais da Vigilância Sanitária. Nas casas localizadas na Rua Uganda, no Jardim Ouro Verde (Zona Norte), cinco e 16 cômodos são alugados, respectivamente. O aposentado Agenor Fernando Costa, 66 anos, dono de um dos alojamentos, disse que aluga os quartos há três anos. ''Ninguém reclama de morar aqui. Até porque muitos não teriam para onde ir'', afirmou. A opinião é semelhante a de Claudinéia Rodrigues Souza, 23, filha do proprietário da outra ''pensão.'' ''Os moradores estão bem aqui'', garantiu.
Um dos hóspedes é José Pedro de Oliveira, 77. Ele disse que prefere morar no alojamento, onde está há sete anos, porque ''não dá certo morar com o filho e a nora.'' ''Não tenho vontade de sair daqui, não'', salientou. ''Está tudo certo aqui. Está todo mundo contente. Só mora aqui quem quer'', acrescentou o aposentado Marcos Torchete de Mouro, 38.
A diretora de Epidemiologia e Saúde Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, Josemari de Arruda Campos, disse que o local é ''inapropriado'' para moradia, mas que a Vigilância Sanitária não pode autuá-los por não serem abrigos ou casas de repouso. ''No momento, não existe o risco das pessoas terem de deixar os locais'', garantiu. ''Temos de orientar os proprietários a fazerem as adequações necessárias'', salientou. O telefone do Disque-Idoso é 3372-4502 e o atendimento é feito das 8 às 18 horas.


