Disque-entrega: 'tudo' por telefone
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segunda-feira, 18 de outubro de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Grande parte dos problemas cotidianos da dona de casa Jacy Moraes é resolvida com uma rápida consulta à lista telefônica. Adepta dos serviços de entrega, ela utiliza o telefone para pedir toda sorte de produtos. Remédios, pizzas, refeições, água e até a indispensável aposta na megasena são viabilizados com uma simples ligação. ''O pessoal da lotérica me liga para confirmar o jogo e depois vem receber'', explicou.
Assim como Jacy, muitas pessoas recorrem ao ''disque'', serviço por telefone que vai desde a usual entrega de lanches e remedios até conselhos espirituais.
Cliente dos serviços de televendas anunciados em programas de televisão, Jacy já comprou até forno de microondas pelo sistema. Entre outras aquisições, é consumidora frequente de produtos de beleza e remédios para emagrecer. ''É preciso tomar cuidado. Tem muita propaganda enganosa nesses programas'', adverte ela, que prefere fazer compras pelo telefone por causa da praticidade. ''Sair de casa tem vários incovenientes. Um deles é a dificuldade para estacionar'', justificou.
Na vida da dona de casa, as mil e uma utilidades do equipamento inventado por Graham Bell extrapolam o aspecto material. Evangélica, ela recorre ao telefone até mesmo para pedir socorro espiritual na igreja. ''A maioria (das igrejas) tem um sistema de atendentes que faz plantão inclusive de madrugada. É só ligar e pedir uma oração. O alívio é imediato'', conta.
O reverendo Ricardo Santos Machado, da Igreja Missionária Encontro com Deus, conhece o poder do telefone para viabilizar conforto espiritual. Autor de um anúncio de ''disque-oração'' na lista telefônica, ele conseguiu arrebanhar 800 fiéis em Londrina, no período de um ano, apenas com a utilização do aparelho.
Através do ''disque-oração'', o reverendo tem o primeiro contato com as pessoas. ''Fazemos a prece por telefone e, se for preciso, atendemos no escritório. A maioria dos que nos procuram enfrenta problemas financeiros, sentimentais ou espirituais'', contou, garantindo que o serviço é gratuito. ''As pessoas contribuem da forma que quiserem.''
No aspecto prático da vida, o primeiro passo para realizar mudanças também pode ser dado através de uma ligação. Em Londrina, a Agência do Trabalhador/Sine divulga, pelo telefone 157, todas as vagas de emprego cadastradas na instituição. O serviço é realizado em parceria com a Sercomtel. As informações são atualizadas diariamente, depois das 17 horas.
O gerente da agência, Mauro Viecili, estima que 300 pessoas consultem o cadastro via telefone todos os dias. Se alguma vaga interessar, ele orienta o possível candidato a procurar o Sine munido dos documentos pessoais. ''Os nomes das empresas não são informados pelo telefone. O objetivo é evitar a procura dos empregadores por pessoas não qualificadas para a função'', explicou.
Menos inusitados, os serviços de entrega de remédios e comida já fazem parte do cotidiano. O designer Alexandre Heringer, 26, utiliza o telefone para pedir lanches, marmitex e comida chinesa. ''Meus pais costumam pedir medicamentos. Tem farmácias que não cobram taxas'', contou.
O hábito de recorrer ao telefone na hora da fome já foi incorporado ao seu dia-a-dia. A vantagem, para ele, é a comodidade. A desvantagem é sentida no bolso. ''Se não houvesse os serviços de entrega, provalvemente não iria aos restaurantes. Acabaria fazendo comida em casa, gastando menos'', comentou.


