Disputa sindical vira confusão
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quarta-feira, 04 de julho de 2001
Betânia RodriguesDe Londrina 
A eleição para presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Londrina e Região transformou-se numa guerra de poder entre a Força Sindical e a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Houve muita confusão logo de manhã, no momento da retirada das urnas da sede do sindicato, e duas pessoas foram presas. Luiz Carlos Lúcio Cunha, 19 anos, e Wagner da Silva Almeida, 21 anos, estavam com três nuntchacos (instrumento composto por dois pedaços de madeira unidos por corrente ou corda, utilizado como arma em artes marciais). A Polícia Militar permaneceu no local para evitar confronto entre cabos eleitorais das duas chapas concorrentes.
Em 12 anos, é a primeira vez que uma chapa de oposição participa da eleição. O candidato é o atual secretário, Vivaldo Remonte, que defende a ampliação do número de diretores licenciados para atuar na base sindical de 62 municípios.
O candidato da situação é Sebastião Raimundo da Silva, atual presidente que tenta o quarto mandato consecutivo. Silva também ocupa um cargo de confiança no governo do Estado desde janeiro, como chefe do escritório regional da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho. Vivaldo Remonte diz que entre os motivos para a formação da chapa de oposição estão a recusa do presidente em se licenciar para exercer o cargo no governo, a alteração do estatuto que reduziu de 10 para cinco dias o prazo de inscrição de candidatos concorrentes e divergências na formação da comissão eleitoral.
Tanto a Força Sindical como a CUT deslocaram cabos eleitorais de Curitiba, Santos (SP) e cidades de Santa Catarina. O atual presidente alegou que contratou 20 seguranças para permanecerem na sede do sindicato durante o período de votação e evitarem confronto. Entre eles estavam os dois presos. Ambos assumiram que eram donos dos nuntchacos e disseram que ganhariam vinte reais cada um para fazer o trabalho. Depois de ouvidos foram liberados, mas o inquérito será instaurado, afirmou o delegado Marcos Belinati.
Também houve confusão em frente à indústria de cadeados Pado, em Cambé. A empresa tem o maior número de trabalhadores na região e, por isso, muitos cabos eleitorais se concentraram na indústria. A votação terminou às 17h30 e a apuração começaria em seguida. Mais de 1.900 associados estavam aptos a votar.


