Disputa sindical termina em pancadaria
Lino Ramos
De Londrina
Especial para a Folha
A eleição para a escolha da nova diretoria do Sindicato dos Trabalhadores na Saúde (Sinsaúde) foi marcada por tumulto e agressão física, revelando a disputa de poder entre a Central Única dos Trabalhadores (chapa de situação) e a Força Sindical do Paraná, que apóia os membros da oposição.
O desentendimento entre os grupos rivais começou na terça-feira, quando a Tropa de Choque da Polícia Militar foi chamada na Rua Raposo Tavares, onde fica a sede do Sinsaúde. A chapa Um é presidida por Ana Maria da Cruz, que tenta a reeleição. O candidato da oposição é Luiz Carlos Bertazzo, funcionário do Hospital Evangélico.
Ontem de manhã, os sindicalistas trocaram socos e pontapés no interior do Hospital Universitário (HU), onde havia uma urna de votação. A servidora Eliane (ela não quis fornecer o nome completo), do grupo de oposição, e Paulo Lima, diretor do Sindicato dos Bancários e mesário escolhido pelo grupo de situação, ficaram feridos e foram atendidos no pronto-socorro do HU.
Paulo Lima afirmou que foi agredido quando tentou fotografar o momento em que uma adversária sindical arrancava um cartaz da Chapa Um, afixado próximo à mesa de votação. Seu principal agressor teria sido Clementino Tomaz Vieira, 36 anos, um dos diretores da Força Sindical do Paraná, em Curitiba.
O Clementino e a Eliane tentaram tomar minha máquina. Fui chutado e esmurrado por esse cidadão de 180 quilos, disse Lima, enquanto era atendido no PS. O mesário afirmou que iria registrar queixa e fazer exames de corpo delito. Eliane também registrou queixa na Delegacia da Mulher. A delegada não forneceu o sobrenome da vítima.
Clementino Vieira alegou que houve tumulto porque os cartazes da Chapa Dois foram arrancados. O Paulo Lima quis tirar fotos para intimidar a gente. A Eliane foi interpelá-lo e ele caiu sobre ela. Houve tumulto e tentei separar mas levei chute de todo o lado, alegou.
O membro da comissão eleitoral, Daniel José de Carvalho, chamou a PM para controlar a situação. É a primeira vez que temos conhecimento de agressões em nossa eleição, lamentou.
Júlio César dos Santos, 31 anos, do Sindicato dos Metalúrgicos e que apoiava a Chapa Dois registrou queixa na polícia por agressão racial. Eu estava arrumando um cartaz quando um cara do Sindicato dos Bancários de Curitiba me chamou de macaco, acusou.
No início da tarde, houve nova confusão quando um grupo ligado à Chapa Dois disse que estava sendo perseguido na rodovia Celso Garcia Cid por pessoas armadas. Três viaturas da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (RONE) atenderam a ocorrência e resolveram a confusão no local.
Na avaliação de Paulo Lima, a disputa entre as duas centrais sindicais ocorre todos os dias e a Força Sindical tenta tomar o poder no Sinsaúde, que hoje é da CUT. Clemetino Tomaz Vieira alegou que a chapa de oposição é independente. Não estou aqui como representante do sindicato mas se for preciso não vamos negar o apoio da Força Sindical, resumiu.
O Sindicato da Saúde tem 5 mil filiados e 1.080 estavam aptos a votar. Segundo a comissão eleitoral, a participação dos associados chegou a 70%. A apuração dos votos começaria após as 20 horas de ontem e seria acompanhada pela Polícia Militar. Segundo a direção do Sinsaúde, havia um clima de muita tensão.Tropa de choque da PM precisou ser chamada por causa de desentendimentos entre chapas que concorrem à direção do Sindicato da Saúde
Josoé de CarvalhoDECISÃO NAS URNASDos 5 mil filiados, 1.080 estavam aptos a votar: comissão previa participação de 70% dos associadosJosoé de CarvalhoLima: Fui chutado e esmurrado por esse cidadão de 180 quilosJosoé de CarvalhoVieira: O Paulo Lima veio tirando foto para intimidar a gente





