Ibiporã - ''A única fonte de abastecimento que temos é o poço rural, aberto com dinheiro público. Dependemos dessa fonte para tudo e com as ligações clandestinas temos ficado sem água para as plantações, para os animais e para o consumo das nossas famílias.'' Esta é a reclamação de Lourdes Aparecida Martho Pereira, presidente da Associação dos Moradores da Barra do Jacutinga (Ambaja), composta por 27 famílias.
A fonte de abastecimento é um poço artesiano que foi perfurado para atender os moradores da Ambaja e mais dois abastecedouros, que deviam ser utilizados pelos agricultores para o manejo de agrotóxicos nas plantações, não contaminando assim as nascentes.
A perfuração foi realizada em 2002 pelo Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae), em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). O investimento foi de R$ 60 mil, repassados pela Emater de Ibiporã por meio do Programa Paraná 12 Meses, que visa combater a pobreza no campo.
O desvio da água, segundo Lourdes, foi feito por um granjeiro, com consentimento do ex-presidente da Ambaja Odilon José Pereira. ''Os dois não pensaram na população e na possível contaminação da água.'' Ela entrou com um processo na Justiça pedindo que o Samae assuma a administração do poço. ''Há quatro anos vivemos esse drama. Nos fins de semana, quando lotam as chácaras, falta água para banho, para fazer comida etc. Esse poço foi feito para os que possuem menos de cinco alqueires e que usam dessa terra para agricultura, para sustento, não para lazer'', desabafa.
A família de Lucimar Geraldo Caus é uma das beneficiadas pelo programa. Ela conta que a água é usada na irrigação do bananal que cultivam, para tratar os animais e para o consumo doméstico. Mãe de gêmeos de quatro anos, ela questiona o uso da água pelas famílias nas chácaras de lazer. ''Nós ficamos sem água para cozinhar, lavar roupa, cuidar da criação. Isso todo fim de semana, quando não, durante a semana.''
Sobrecarga
Lourdes Pereira afirma ainda que moradores das chácaras e o dono da granja não estariam pagando pela água. ''Todos os usuários devem fazer o pagamento por cada mil litros, o preço é de R$ 0,60, mas são poucos os que pagam. Esse dinheiro serve para pagar a energia consumida na bomba do poço e para a manutenção dos encanamentos.''
Segundo a presidente, a manutenção do sistema tem ficado caro e muitos não entendem que a capacidade do equipamento é pequena para atender a todos. ''Estão puxando muita água para as chácaras e a granja, o painel de energia da nossa bomba já queimou várias vezes devido à sobrecarga no sistema. Ela foi programada para bombear água de seis a oito horas por dia, mas no momento funciona até 20 horas diariamente.''

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