Disputa pelo poder racha Polícia Civil
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de novembro de 1998
James Alberti 
A Polícia Civil do Paraná vive uma crise interna sem precedentes na sua história. Nunca uma disputa pelo poder chegou ao público com tamanha força, movida por ameaças veladas e desavenças declaradas. A luta tem como pano de fundo a indicação do delegado-geral, após a queda de Artur Oscar Correia Braga, dia 26 do mês passado, mas vai além disso.
Newton Rocha: uma incógnita entre os colegasAutoridades do Estado fazem do poder que possuem um instrumento para prejudicar desafetos. Agora, políticos e delegados usam toda a munição que possuem para levar um aliado ao comando da Polícia Civil. Até lá o cargo continua a ser ocupado pelo ex-delegado-geral adjunto, Roberto Ferreira do Nascimento.
Na disputa aparecem três nomes em destaque, todos com fortes apoios políticos. Entre a classe, diz-se que o peso da balança será o posicionamento do presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL). A frase corrente é que todos os candidatos devem tomar café com o deputado e o vencedor será aquele que conseguir ficar para o almoço.
Os próprios candidatos sabem disso e lutam pelo aval do deputado, braço forte de apoio ao governador Jaime Lerner, que dará a palavra final em relação ao nome.
Aníbal Khury: café da manhã disputado por todosSendo assim, leva vantagem o delegado Newton Rocha. Este, comenta-se, seria apoiado por Aníbal Khury e um grupo de políticos, dentre os quais o deputado federal Max Rosemann (PSDB) e os estaduais Nelson Justus (PPB) e Kleiton Kielse Crisostomo (PFL).
Outro nome que teria força junto ao deputado é o do delegado Ricardo Kepps de Noronha, opositor do ex-delegado-geral e pivô da briga que resultou na saída de Braga. Titular do Comando de Operações Policiais Especiais (Cope), ele tem ainda o suporte da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) do Paraná e do Sindicato das Classes Policiais (Sinclapol), orgãos dos quais é presidente, e o apoio do ex-secretário da Segurança, Cândido Martins de Oliveira, inimigo declarado de Braga.
Paulo Ernesto: candidatura apoiada por Braga
O apadrinhamento de Martins, que também foi Chefe da Casa Civil e tem bom trânsito com o presidente da Assembléia, pode ser decisivo. Martins é ainda cotado para assumir a Secretaria da Segurança Pública, cargo hoje ocupado por Rubens Abrahão Tanure, que recebeu o apoio de Khury para permanecer no posto.
O terceiro nome da disputa é do delegado Paulo Ernesto Cunha, que já ocupou o cargo no governo peemedebista de Mário Pereira e tem o apoio do ex-delegado-geral Artur Braga. Este estaria tentando convencer Khury a apoiar seu candidato. Cunha tem a vantagem da experiência administrativa, ao contrário dos seus adversários.
Uma possível administração de Newton Rocha, aliás, é considerada uma incógnita entre a categoria. Já Noronha é tido como um bom delegado operacional, característica que o torna uma exceção em relação aos delegados-gerais que ocuparam o cargo.


