Trocar o dia pela noite não é para todo mundo, mas pode ser bem interessante. Que o digam os notívagos Ciro Masamitsu Cinagava, Claudia Regina da Costa, Joni Frank Ueda, José Carlos Ferreira, Rodrigo Berengeno, Vanderlei Favaro e tantos outros londrinenses que por falta de tempo, ou gosto pessoal mesmo, são inspirados pelo brilho da lua e das estrelas.
O estudante de medicina Ciro Cinagava, por exemplo, não consegue dormir antes das três da manhã desde a adolescência. Enquanto todo mundo descansa, ele prefere ler livros e estudar. ''Estudar de dia é ruim, não dá para prestar atenção. À noite é mais calmo, tranquilo'', explica.
Curiosamente o nome Ciro significa sol e, com certeza, quem escreveu a definição no livro dos nomes não conhecia o estudante. ''Quando eu tinha uns 14 anos minha mãe tentava me fazer ir dormir cedo para ir para a escola no dia seguinte, mas não conseguia'', conta. ''Eu sempre ia dormir às três, quatro da madrugada, acordava às sete para ir para a escola, mas depois dormia à tarde para compensar'', completa Cinagava, lembrando que ''nas aulas mais chatas era impossível não cochilar''.
O estudante de administração Rodrigo Berengeno só tem tempo de se exercitar à noitinha. Depois de trabalhar durante o dia todo no setor administrattivo de uma empresa de elevadores e cursar a faculdade até às 22h30, ele corre para a academia, onde treina musculação. ''Já me acostumei. Se não fizer exercício não consigo dormir'', declara.
Ele costuma ir para cama por volta da 1h30 durante a semana. No dia seguinte, levanta sempre às 5h30, mas não reclama. ''Acordo bem, muito melhor do que quando não fazia exercícios'', constata. Nessa rotina há seis meses, Berengeno conseguiu convencer a noiva Edelnice a juntar-se a ele.
''No começo ela reclamava, mas hoje está mais acostumada. Me surpreendeu'', assinala o estudante, que tira os finais de semana para descansar e passear. ''Domingo é o único dia que eu tiro para ir dormir cedo.''
A falta de tempo é o que move também dois grupos de ciclistas londrinenses a pedalar sempre depois das 19 horas, às terças e quintas. ''Aprendi a gostar de pedalar à noite principalmente porque depois da pedalada sempre nos reunimos para comer e beber. Quase sempre o exercício acaba em cerveja'', brinca o comerciante Vanderlei Favaro.
Ele costuma ir dormir sempre à 1 da manhã, mas acorda disposto para enfrentar as 12 horas diárias de trabalho. Quando não está pedalando, corre na Praça Nishinomia, em frente ao aeroporto, sempre à noite. ''Por falta de segurança não dá para fazer esporte noturno sozinho, por isso nos reunimos em grupo e hoje já somos em 20'', assinala Favaro, ressaltando que o grupo Pedais Vermelhos é formado apenas por homens.
Para o advogado Joni Ueda, que também participa do grupo, pedalar à noite ''é muito bom''. ''Meu organismo reage bem'', aponta. Ele costuma acordar entre 6 e 6h30 todos os dias e acredita que o esporte noturno garante uma noite de sono mais saudável. ''Sempre pratiquei esportes noturnos. Antes de pedalar e correr às margens do Igapó, costumava jogar tênis'', recorda.
Como o amigo Vanderlei Favaro, Ueda junta o útil ao agradável nas pedaladas semanais. ''É o momento de preencher o tempo, reunir com os amigos. Sempre convido outros amigos a se juntar ao grupo'', admite.
Nos passeios, realizados sempre na zona rural, eles buscam o esporte de aventura e costumam encontrar outros esportistas, além de animais silvestres pelo caminho. ''Evitamos circular pelos bairros mais perigosos, onde não há posto policial. Já houve um caso em que colegas nossos foram assaltados enquanto pedalavam à noite.''

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