A dislexia é um distúrbio de leitura e escrita enfrentado por cerca de 3% da população. O problema é cercado de preconceitos e com frequencia leva à baixa auto-estima de quem tem a dificuldade. O maior problema do disléxico é a associação entre som e letra, o que provoca dificuldades de leitura, escrita e entendimento de texto escrito; trocas, inversão, omissão e acréscimo de sílabas além de dificuldades na organização temporal, espacial e na coordenação motora.
De acordo com a psicopedagora Edy Simone Del Grossi, a dislexia não é uma deficiência mental, e sim um distúrbio de aprendizagem. Com o objetivo de divulgar o assunto, André Luiz Del Grossi e Oliveira, filho da psicopedagoga, decidiu produzir uma cartilha, como trabalho de conclusão do curso de Artes Visuais.
Ele disse que o objetivo da produção do material é informar as pessoas sobre o assunto. O material traz ilustrações e diagramação do autor, o texto foi escrito por Edy. ''Para driblar a dificuldade de leitura do disléxico, optei por usar pouco texto e muita ilustração'', explicou André.
Ele acredita que a cartilha vai diminuir o preconceito por que traz informação e esclarecimento sobre o assunto. ''O que falta hoje é conhecimento, principalmente entre os professores. Meu objetivo é melhorar a vida das pessoas que tem dislexia'', destacou.
André e sua mãe arcaram com os custos da impressão de 100 cartilhas. Algumas já foram distribuidas nas escolas, e o material será levado neste mês para um congresso no Rio de Janeiro. ''Este material será apresentado como sugestão de apoio na divulgação de informações sobre o distúrbio'', disse Edy.
Não há como adquirir dislexia no decorrer da vida, as pessoas disléxicas nascem com o problema. Há pesquisas que indicam que o distúrbio tem origem genética e pode ser visual, quando a pessoa confunde as letras, auditiva, quando troca os sons ou mista, que apresenta as dificuldades simultaneamente.
Ela destacou que quem possui o distúrbio tem dificuldades em todas as fases da vida. ''Para as crianças o primeiro desafio é a alfabetização. Quem tem dislexia só consegue ser alfabetizado pelo método fônico, que trabalha letra e som'', explicou. Conforme Edy, os adolescentes enfrentam problemas no aprendizado de línguas estrangeiras e na leitura de livros. ''Para os adultos a dislexia pode interferir na profissão e na colocação no mercado de trabalho'', destacou. Ela disse que a pessoa se sente insegura, com vergonha da sua condição e tem auto-estima baixa.
A base da dislexia é neurológica e o distúrbio só pode ser diagnosticado quando a criança já foi alfabetizada. De acordo com Edy, o hemisfério direito do cérebro é responsável pela parte criativa, emocional e motora. ''O disléxico desenvolve mais este lado. O desafio da pessoa nesta condição está em saber identificar e aproveitar as suas capacidades'', disse. O hemisfério esquerdo, menos desenvolvido, é mais racional, mais ligado à matemática e à objetividade.
Multidisciplinar
A psicopedagoga explicou que são três os níveis de dislexia. No tipo ''leve'', a pessoa apresenta problemas ortográficos e de organização espacial. Quem tem o nível moderado não consegue produzir um texto estruturado com coerência e sequência lógica e aqueles com forma severa possuem todas as dificuldades juntas. ''Não conseguem ler livros não entendem os diferentes significados de palavras com derivados iguais, como corrente, correnteza e correria'', explicou.
As dificuldades da pessoa disléxica não significam que ela seja menos inteligente, mas sim que tem habilidades em outras áreas que podem ser desenvolvidas. ''O tratamento é multidisciplinar, inclui fonoaudiólogos, psicólogos, neurologistas e psicopedagogos'', elencou Edy. Ela destacou que é comum confundir a dislexia com deficit de atenção. ''Para obter sucesso com alunos disléxicos os professores precisam ensinar falando mais e escrevendo menos. Eles aprendem mais ouvindo o professor do que copiando.''
Para ela uma criança diagnosticada cedo pode ter o seu futuro facilitado. ''Quando identificamos o distúrbio, podemos trabalhar as dificuldades, intervir e buscar alternativas para driblar o problema. A pessoa com dislexia tem vários potenciais que precisam ser descobertos e valorizados.''

mockup