Embora seja um fato desconhecido para muitos pais, o mau desempenho dos filhos na escola pode ter como explicação uma causa neurológica. Dificuldade de raciocínio, memorização e interpretação na infância são indícios de dislexia. Trata-se de um transtorno que afeta cerca de 4% da população e que é caracterizado pela dificuldade de fazer a relação entre o que se fala e o que se escreve. Visando despertar a população para este problema, entre os dias 31 de outubro e 6 de novembro será realizada a Semana Nacional de Conscientização sobre a Dislexia.
O neuropediatra Clay Brites, de Londrina, explica que a pessoa com dislexia não reconhece o som da letra correlacionada com a grafia (escrita). ''É um deficit de habilidade fonológica. Quando alguém lê um texto para o dislexo ele entende tudo o que é dito, porém se ele mesmo fizer a leitura terá dificuldade de compreensão'', exemplifica.
Segundo Brites, a dislexia tem causa hereditária. ''Em 90% dos casos o dislexo tem histórico de familiares na mesma condição, como pais, avós ou tios'', afirma. Ele diz que os sinais de que a pessoa apresentará o transtorno começam a surgir logo nos primeiros anos de vida. ''O primeiro sinal é o atraso na fala'', observa.
Brites ressalta que no primeiro ano de vida a criança deve falar, ao menos, cinco palavras com clareza. ''Com um ano e meio a criança deve falar entre 50 e 150 palavras e assim sucessivamente até que, aos cinco anos, esteja falando como um adulto. Caso apresente atraso em alguma destas etapas, os pais devem ficar alertas'', orienta. Ele explica que a dislexia é quatro vezes mais comum em meninos por um motivo ainda não explicado pela ciência.
O diagnóstico precoce pode reduzir em até 40% os efeitos do transtorno, conforme destaca o neuropediatra. ''Quanto mais cedo a dislexia for diagnosticada, menores serão os danos causados pelo transtorno. O diagnóstico é feito por uma equipe multidisciplinar composta por um médico neuropediatra, fonoaudiólogos especializados, psicopedagogos e psicólogos. Após confirmada a dislexia, o paciente passa por uma terapia fonológica por tempo interderminado.''
Além da terapia fonológica, a pessoa que apresenta quadro de dislexia precisa contar com a ajuda dos pais e professores. ''Os pais precisam colaborar com a aprendizagem dos filhos ajudando-os na hora de fazer as tarefas da escola. Já a escola tem um papel fundamental no desenvolvimento dos alunos. Hoje em dia há métodos pedagógicos eficazes que podem tornar as crianças com dislexia adultos plenamente felizes na profissão'', ressalta Brites.
O médico diz que a criança com dislexia tem mais chances de sofrer de depressão. ''Devido à dificuldade de aprendizagem a criança com dislexia acaba se isolando dos colegas da escola. O índice de evasão escolar é cerca de quatro vezes maior entre os alunos que apresentam o transtorno'', salienta.

Imagem ilustrativa da imagem Dislexia compromete desempenho escolar