Disk-Saúde
tira dúvidas
sobre doações
Patrícia Zanin
Londrina
A Folha fez duas consultas ao Disk-Saúde, serviço de informações telefônicas do Ministério da Saúde, cujo atendimento aumentou significativamente desde que a lei de doação de órgãos entrou em vigor. As consultas específicas sobre doação de órgãos subiram de 300 para 1 mil ligações/dia desde o dia 1º.
A primeira consulta ocorreu na quarta-feira e foi bem rápida. A segunda, sexta-feira, foi um pouco mais demorada e, no final, incluiu uma mensagem do Ministério que estimula a ‘‘colaboração’’ do cidadão para o cumprimento da lei. Nos dois casos, os atendentes pediram a minha permissão para responder a um questionário. O questionário incluiu quatro perguntas: idade, escolaridade, cidade de origem da ligação telefônica e Estado.
Também na segunda consulta o atendente perguntou a minha opinião sobre a lei de doação para efeito de cadastramento. A prestação do serviço, nos dois casos, foi de boa qualidade e houve rapidez para que a chamada fosse completada. O serviço é gratuito e funciona de segunda a sexta-feira, das 8 às 20 horas, pelo telefone 0800-61-1997.
A seguir, a segunda consulta feita pela Folha ao Disk-Saúde. Vale lembrar que a pessoa que liga para o serviço não precisa se identificar e os atendentes não souberam que se tratava de um teste para futura reportagem.
Folha - O que prevê a lei de doação?
Disk-Saúde - Aguarde que estou fazendo a pesquisa (espera de aproximadamente 10 segundos). A lei de doação presumida de órgãos prevê que todo o brasileiro passa a ser doador de órgãos desde que se constate morte cerebral. A lei está em vigor desde o dia 1º de janeiro de 1998. Quem não quer ser doador deve fazer uma ressalva na carteira de identidade ou de habilitação. Todo brasileiro terá seis meses, a partir da implantação da lei, para se manifestar contra a doação. Para fazer a ressalva na carteira de identidade, a senhora deve se dirigir ao órgão da Secretaria de Segurança Pública e requerer uma segunda via, levando a carteira antiga, duas fotos, a ficha modelo 18. Compreendido, senhora?
Folha - Sim. E se eu quiser requerer a segunda via da identidade, mas morrer antes de providenciá-la? Minha família irá ser consultada para autorizar a retirada de meus órgãos ou não?
Disk-Saúde - Aguarde (mais uns 15 segundos de consulta. Barulho de computador). Se a senhora falecer antes, será doadora em potencial. Pela lei, a família não pode impedir a retirada.
Folha - Mas a gente está ouvindo dizer que existe uma orientação do Conselho Federal de Medicina aos médicos para que eles consultem a família e só façam a retirada se ela autorizar...
Disk-Saúde - Pela lei, a família não pode impedir a retirada. Porém, a ética médica está considerando os valores humanitários.
Folha - Quer dizer que a lei está sendo descumprida?
Disk-Saúde - Os médicos comunicam a família porque, apesar de todo brasileiro ser doador em potencial, a menos que tenha manifestado o desejo de não ser doador, o médico não vai chegando assim e retirando os órgãos sem comunicar a família. Mas a lei deixa a opção de escolha ao cidadão no caso de ele não querer doar seus órgãos. Além do mais, no caso de morte cerebral, a família pode pedir um médico de sua confiança para comprovar que houve a morte cerebral. Compreendido, senhora?
Folha - Sim. Obrigada.
Disk-Saúde - (lendo um texto)O Ministério da Saúde informa: a doação presumida de órgãos está regulamentada por lei. Milhares de brasileiros estão esperando por um doador. Com a sua colaboração, milhares de pessoas serão beneficiadas. Uma boa tarde e obrigada.

mockup