Ivone Jardim dedica integralmente o tempo à filha Márcia, de 34 anos: "Ela precisa de mim para tudo"
Ivone Jardim dedica integralmente o tempo à filha Márcia, de 34 anos: "Ela precisa de mim para tudo" | Foto: Gina Mardones



Quem trabalha com pessoas com deficiência conhece bem as dificuldades de se discutir com os cuidadores as medidas que estes pretendem adotar quando não tiverem mais condições de manter os cuidados dispensados ao parente especial. "No ano passado nós fizemos algumas abordagens. Da primeira vez, não foi muito legal. Disseram que os chamamos para falar de morte", contou o diretor pedagógico da Apae em Ibiporã, Paulo Silvério Pereira.
O trabalho de conscientização, acredita ele, deve ser totalmente orientado no sentido de sensibilizar os cuidadores de que o tempo passa para todos e alternativas devem ser pensadas antes que o pior aconteça. "A gente percebe que algumas famílias estão muito focadas em atender o imediato, mas para daqui a dois anos não tem uma preparação", afirmou o diretor. "Quem tem filhos com deficiência tem que se preparar, mas se tiver uma política que dê segurança aos pais, acho que a coisa mudaria. O pai tem que ver a coisa funcionando para saber que amanhã, se ele faltar, vai ter alguém cuidando do seu filho", completou o presidente da Apae, Gilson Mensato.
A assistente social Sueli Midori Kazahaya é responsável pelo Clube de Mães da entidade, que reúne as mães das crianças especiais atendidas na Apae, e se depara frequentemente com essas questões. "Ao mesmo tempo em que (as mães) pensam que se forem antes, quem irá cuidar de seus filhos, elas também chegam a imaginar que se os filhos forem antes, ficariam mais tranquilas. Atendo mães que a filha tem mais de 40 anos e elas ainda dão iogurte na boca."
Para a dona de casa Ivone Donizete Jardim esse assunto nunca foi tabu. Mãe de Márcia, de 34 anos, que tem paralisia cerebral, Ivone dedica integralmente seu tempo aos cuidados com a filha, mas já conversou sobre o assunto com o filho e está tranquila por saber que ele se comprometeu a substituí-la nos cuidados quando a mãe não tiver mais condições. "A Márcia precisa de mim para tudo. Comer ela até come sozinha, mas sou eu quem dou banho, troco de roupa e para ela se locomover também precisa da minha ajuda. Não é fácil, mas disse para o meu filho que quero que ele faça pela irmã tudo o que eu faço por ela. Mas do futuro a gente nunca sabe. E se ele for antes de mim? Ter um local que pudesse acolher a Márcia seria importante", disse Ivone. "Só a gente que tem um filho especial é que sabe o cuidado que tem que ter com eles. Não é porque é uma criança especial que vai deixar lá, como um objeto."(S.S.)

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