Engana-se quem pensa que os casos de bullying acontecem somente com crianças e adolescentes em fase escolar. Eles também ocorrem com frequência entre adultos nos ambientes de trabalho, em comunidades e em grupos de amigos. Responsável pela destruição de autoestima que pode levar até ao suicídio, o problema tem chamado a atenção do mundo todo. A implantação de programas antibullying em escolas e empresas é a alternativa defendida pela psicóloga brasileira Milene Ferrazza, que mora nos Estados Unidos e trabalha com o tema há mais de 20 anos. Esta semana ela está em Londrina para participar de dois eventos.
''Bullying: uma brincadeira que não tem graça'' é o tema da palestra que acontecerá hoje, às 19h30, no Centro de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Durante o evento, aberto à toda a comunidade, serão abordados tópicos como a dinâmica da prática do bullying e suas consequências; o uso do poder e o isolamento; a questão dos rótulos; a prática no local de trabalho e como promover a aproximação entre as pessoas e eliminar essa prática nos grupos, entre outros.
''Precisamos rever a questão do poder e como fazemos uso dele. Todos nós nascemos com o poder de escolhas e de tomada de decisões. Temos que estar constantemente nos questionando como estamos fazendo uso das nossas palavras e atitudes para com as pessoas ao nosso redor - em casa, no local de trabalho, com amigos, na comunidade e em geral'', ressalta Milene.
A psicóloga enfatiza que quando as pessoas têm consciência do impacto que suas ações têm sobre os outros, é possível escolher entre ajudar aqueles que estão em dificuldades ou intimidar alguém que não sabe se defender.
Segundo Milene, a prática do bullying tem características bem particulares que facilitam a sua identificação. ''Ela pode ser identificada através de ações ou ataques repetitivos que têm a intençao de intimidar e humilhar uma ou mais pessoas'', afirma. Ela diz que isso pode acontecer por meio de atitudes como colocação de apelidos, do ''tirar o sarro'', da exclusão de alguém do grupo, através de fofocas ou rumores, extorsão, através do cyberbyllying (intimidaçao via email, mensagens de texto, internet) e através de violência física.
Prevenção
A psicóloga diz que para quebrar esse padrão de comportamento e realizar mudanças, primeiramente, é preciso haver o entendimento sobre a prática do bullying. ''Isto tem que ser feito no grupo, ou seja, deveríamos ter programas de prevençao sendo implementado nas escolas e empresas'', ressalta. ''Promover a aproximação entre os grupos, na minha opinião, é a solução para que as pessoas possam se colocar no lugar dos outros e aprendam a se respeitar. Quando isto não acontece, é necessário trabalhar a autoestima das vítimas de forma individual para que elas possam acreditar no seu potencial e no seu valor'', aconselha.
Milene salienta que as vítimas de bullying podem sofrer consequências para o resto da vida. ''Quando indivíduos não têm uma autoestima saudável, eles são incapazes de acreditar na sua potencialidade e eventualmente não conseguem produzir ou encontrar a motivação para viverem suas vidas com prazer'', afirma. ''Eu recebo mensagens todos os dias de pessoas adultas que sofrem diariamente por serem alvos em seus locais de trabalho e por não conseguirem enfrentar seus agressores'', diz Milene.
Bons exemplos
A psicóloga destaca que dar bons exemplos é a melhor forma dos pais contribuírem para que seus filhos não venham se tornar vítimas ou praticantes de bullying. ''Muitas situações de bullying acontecem dentro de casa, entre familiares. Por isso não deve colocar apelidos ou ridicularizar as crianças no ambiente familiar. Os pais devem ensinar seus filhos a fazerem amigos, a terem habilidades sociais para incluírem-se em seus grupos e promover a amizade. Além disso, deve-se manter seus filhos sempre orientados e informados. O diálogo e a a orientação são essenciais para o desenvolvimento da confiança e da autoestima'', reforça.
Serviço - Palestra: ''Bullying: uma brincadeira que não tem graça'' acontece hoje, às 19h30, na sala 201 do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da UEL. Workshop para estudantes e profissionais das áreas de Educação e Psicologia será realizado no dia 28 de abril, das 9 às 12 horas, na UEL. Promoção do Instituto Innove. Informações pelo fone (43) 3328-0001

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