Discussão não esclarece sobre qualidade da água
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terça-feira, 28 de agosto de 2001
Israel Reinstein<BR>De Curitiba 
A Assembléia Legislativa perdeu ontem a oportunidade cobrar da Sanepar explicações concretas sobre a baixa qualidade da água coletada na barragem do Iraí responsável pelo abastecimento de 70% dos moradores de Curitiba e região metropolitana. Durante sessão especial, o presidente da Sanepar, Carlos Afonso Teixeira de Freitas, apenas relatou as ações da empresa para minimizar o cheiro e gosto provocado por algas, que vêm incomodando os usuários desde fevereiro.
Em três horas e meia de discussão, os deputados da oposição não conseguiram saber de Freitas por quanto tempo a população vai beber água com gosto de barro e mofo. Na maior parte da sessão, a discussão acabou girando em torno de supostas irregularidades na venda de ações da empresa para o grupo Dominó Holding.
No entanto, como esse tema não estava descrito no requerimento de convocação do deputado Neivo Beraldin (PSDB), o presidente da Sanepar se calou sobre o assunto. ''A população quer saber o que está causando falhas nos serviços da Sanepar'', reclamou Beraldin. Ao final da sessão, havia apenas seis deputados discutindo o problema, que ainda queriam encaminhar um pedido para que fosse feita nova convocação de Carlos Teixeira de Freitas.
Durante a sessão, Carlos Teixeira de Freitas disse que a empresa vai minimizar os efeitos da superpopulação de algas cianofícias até outubro. De acordo com ele, com o funcionamento da nova estação de tratamento do Iraí e o controle do esgoto será possível diminuir a presença das cianobactérias, do tipo microcystis.
No entanto, Freitas admitiu que se houver uma nova floração das algas, em função de mudança climática, os moradores vão ter que beber água com sabor e cheiro. Desde que começou a superpopulação de algas, a Sanepar tem gasto entre R$ 300 mil a R$ 500 mil a mais com produtos químicos, como o carvão ativado. Além disso, o trabalho para controlar o escoamento de esgoto está estimado em R$ 10 milhões.
O presidente da Sanepar disse que outra alternativa que vai ser usada para evitar a superpoplação de cianobactérias é o desvio do rio. A intenção é retirar da bacia de captação as águas que vierem dos rios Palmital e Iraí. Quando estiverem poluídos, esses rios serão desviados para baixo da captação, ficando responsável pelo abastecimento o Rio do Meio.


