Discussão na Câmara acaba em morte
Curitiba
Uma discussão em frente à Câmara Municipal de Adrianópolis, por volta das 11h30 de ontem, terminou em tiroteio e morte. Ao final de uma sessão que discutia a desapropriação de uma área no município, um comerciante e um funcionário da prefeitura se desentenderam e decidiram encerrar o caso a bala.
O autor dos disparos - seis ao todo - foi o comerciante Mário Cézar Pedroso de Moraes. Ao deixar o prédio da Câmara Municipal, Moraes discutiu com João Hamilton de Morais (não há parentesco entre eles) e sacou um revólver calibre 38. Ele esvaziou o revólver, relata o delegado de Adrianópolis, Elíbio Menezes. Três balas atingiram Hamilton na barriga, uma atravessou apenas os músculos peitorais de Sandra Ferreira, de 19 anos, e outras duas acertaram a cabeça da menina Jéssica Aparecida Santos Almeida, de seis anos, que morreu na hora.
Na confusão, o vereador João Manoel Pampanini (PT) foi indicado por testemunhas como um dos autores dos disparos. Meia hora depois do acontecido, Pampanini foi preso em casa e conduzido algemado junto com Moraes à delegacia de Bocaiúva do Sul. O único objetivo dessa prisão absurda foi denegrir a minha imagem política no município, acusa. O delegado rebate dizendo que queria proteger a integridade física do vereador.
A população ficou revoltada e ameaçou linchar o Cézar, afirma o delegado Menezes. Por isso decidi transferí-lo para Bocaiúva do Sul. A versão do vereador Pampanini é diferente: Se a situação estivesse tão preta, ele não teria conduzido Cézar para a delegacia, a duas quadras de distância, a pé.
Segundo um funcionário da Prefeitura de Adrianópolis, o motivo da briga nada teve a ver com o resultado da reunião. Foi uma briga pessoal, afirmou. Na reunião, nove vereadores decidiram por unanimidade que a área de 31,4 mil metros quadrados onde já moram 94 famílias seja desapropriada para regularizar o assentamento.
João Hamilton de Morais permanece internado no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, onde será submeter a uma tomografia para decidir se será preciso retirar a única bala que ficou alojada em seu corpo. Sandra Ferreira, também internada no Angelina Caron, passa bem e não vai necessitar de cirurgia.





