O professor de Sociologia, Wilson Sanches, da Unopar EAD, afirma que há um fenômeno, que não é novo, de migrações por busca de emprego. "Uma das motivações pode ser o testemunhal de algum conhecido ou parente que tenha vindo para Londrina e que aponte esta região como oferecendo condições melhores do que a região que o indivíduo vive", aponta.
O professor ressalta que discutir a questão da população em situação de rua é extremamente complexo. Segundo ele, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome aponta que trata-se de um grupo populacional heterogêneo sem moradia regular como referência. "Sendo um grupo heterogêneo não é possível estabelecer uma única narrativa para compreender o que levou os membros desta população a viver em situação de rua", afirma.
De acordo com Sanches, diversas pesquisas demonstram a dificuldade de um estudo sistematizado desta população, pois não tendo uma moradia fixa, uma mesma pessoa pode ser entrevistada mais de uma vez, ou então várias pessoas de um mesmo grupo podem ficar fora da entrevista. Ele ressalta que nos censos realizados em Londrina em 2007 o que se percebe é que quando se pesquisa os motivos pelos quais as pessoas passaram a viver ou morar na rua, mais de 44% não responderam a esta questão e as que responderam não apontaram os problemas financeiros como causa para morar na rua.
"Neste sentido, não podemos afirmar, categoricamente, que a crise atual tenha aumentado o número da população em situação de rua. Quando tentamos entender a população em situação de rua nós utilizamos algumas interpretações pessoais e geralmente acreditamos que alguma situação crítica tenha levado essas pessoas para a rua, mas temos que vislumbrar a possibilidade de que algumas destas pessoas escolheram esta situação, romperam com a lógica de nossa sociedade", argumenta. (V.O.)

mockup