James Alberti
De Curitiba
Um bate-boca acirrado entre o advogado de defesa, os três promotores e os dois assistentes de acusação deixou atônitas as pouco mais de 20 pessoas que acompanhavam o sétimo dia de julgamento de três dos sete acusados do assassinato do menino Evandro Ramos Caetano, 7 anos. O julgamento acontece no Fórum de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba.
Aos berros, os promotores e advogados caminhavam de um lado para outro, tentando fazer prevalecer suas posições. No meio da discussão estavam o diretor do Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba, Francisco Moraes, e o juiz Marco Antonio Antoniassi. Por conta da discussão, o julgamento foi suspenso por cinco minutos. Em seguida, a sessão ficou paralisada outros 20 minutos por problemas elétricos.
Estão sendo julgados Osvaldo Marcineiro, Vicente de Paula Ferreira e Davi dos Santos Soares, acusados de matar Evandro. O homicídio teria ocorrido no dia 7 de abril de 1992, em um ritual de magia negra, em Guaratuba. O menino havia desaparecido um dia antes, entre o trajeto de cerca de 100 metros de sua casa e a escola.
A briga começou depois que o advogado de defesa, Álvaro Borges Júnior, pediu para o diretor do IML dar sua opinião sobre um fita de vídeo, na qual um policial do Grupo Tigre, da Polícia Militar, tomava depoimento do pai-de-santo Osvaldo Marcineiro. O advogado de defesa queria saber se o policial estava induzindo as respostas do interrogatório. Os assistentes de acusação protestavam energicamente e foram seguidos pelos três promotores.
Com a discussão, Moraes foi impedido de continuar a resposta. O advogado de defesa ameaçou abandonar o júri. ‘‘Se não houver ampla defesa, eu vou embora’’, afirmou. No pico do bate-boca, o óculos do advogado Edson Stadler, um dos assistentes de acusação, foi atingido e caiu. Durante o recesso, Stadler teve que procurar uma ótica próxima ao Fórum.
A tensão diferenciou o julgamento dos dias anteriores, que haviam sido calmos. Ontem começou o depoimento das testemunhas, que deve durar até domingo. Francisco Moraes foi a terceira testemunha de acusação a depor ontem. As outras duas, ouvidas de manhã, foram o então superintendente da Polícia Federal, José Augusto de Mello Chueire, e o promotor Roberto Dalcol, que tomou o depoimento dos acusados em Guaratuba.
Por fax enviado às redações, o juiz Marco Antoniassi pediu que não fossem publicados os conteúdos dos depoimentos das testemunhas. A razão, segundo o juiz, é a de que as reportagens podem influenciar os depoimentos da demais testemunhas, que não estão incomunicáveis. Antoniassi afirmou que não havia possibilidade de deixar incomunicáveis as 31 testemunhas – oito de acusação e 23 de defesa.Bate-boca entre o advogado de defesa, três promotores e os dois assistentes de acusação acabou suspendendo os trabalhos
Fotos: Mauro FrassonDepoimentoO advogado que defende acusados, Álvaro Borges Júnior, discute com Edson Stadler, assistente de acusação. Briga começou quando Borges pediu para o diretor do IML (sentado na cadeira) dar sua opinião sobre um fita de vídeo, na qual um policial do Grupo Tigre tomava depoimento do pai-de-santo Osvaldo Marcineiro

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