A dona de casa Verônica Maria Moura de Oliveira, 28 anos, foi enterrada ontem pela manhã em Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina). Ela foi atingida com cinco tiros de revólver, dois na cabeça, um no pescoço e dois no tórax, na terça-feira à noite, disparados pelo vizinho Rafael da Silva, 30 anos, após uma discussão. Silva está foragido. O delegado de Jaguapitã, José Arnaldo Peron Martins, está ouvindo testemunhas e aguardando o resultado do laudo para pedir a possível prisão preventiva dele.
A discussão entre os dois começou por volta das 18h30 de terça-feira, quando Verônica estava ouvindo música com o som alto. A filha G.R.O, 8 anos, contou à polícia que Silva começou implicar com a mãe e pediu para que ela desligasse o rádio. Como a vítima disse que não iria desligar, Silva fez insultos contra ela e ameaçou-a de morte. A menina contou que a mãe pediu para que ela fosse até a delegacia para denuncir o vizinho.
‘‘Quando os policiais chegaram na casa, a mulher já havia sido baleada, mas ainda estava com vida’’, disse o delegado. Ela foi encaminhada para o Hospital Evangélico em Londrina, onde morreu 10 horas depois. Verônica tinha quatro filhos menores e estava separada do marido. Segundo o delegado, as crianças ficarão sob a tutela de parentes.
Martins não descarta a possibilidade da intriga entre Silva e a vizinha ser antiga. Uma das testemunhas contou que há alguns dias os dois discutiram por causa da queima de lixo que Verônica fazia no quintal. Silva chegou a ir apagar a fogueira feita por ela. ‘‘Um já tinha raiva do outro há muito tempo’’, presume.
Verônica morreu por volta das 3 horas de anteontem no Hospital Universitário (HU) em Londrina e o corpo foi entregue no Instituto Médico-Legal (IML). Familiares se revoltaram com a atitude do médico-legista de plantão, Fernando Milani, por ele ter se recusado a fazer a necrópsia, alegando que precisava ter em mãos a radiografia do corpo da vítima. A radiografia não foi remetida pelo HU conforme sempre ocorre nestes casos. A confusão se arrastou até por volta das 21 horas de quarta-feira, quando o chefe do IML, Antônio Carlos Queiroz, fez a necrópsia e liberou o corpo aos familiares que permaneciam no local. O tio de Verônica, Losano Francisco de Souza, solicitou abertura de inquérito na 10ª Subdivisão Policial contra Milani, fundamentando que o médico deixou de cumprir sua função (prevaricação). (Colaborou Paulo Ubiratan)

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