Curitiba

Kraw PenasDiante de uma platéia de 200 pessoas, todos os candidatos defenderam o ensino público e gratuitoA semelhança no discurso marcou o primeiro debate entre três dos quatro candidatos a reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Carlos Antunes, Acácia Kuenzer e a vice-reitora Maria Amélia Zainko passaram a maior parte do tempo defendendo o ensino público e gratuito. O pró-reitor de Planejamento, Aldair Rizzi, não compareceu ao encontro, realizado ontem pela manhã, no Centro Politécnico, em Curitiba.
A vice-reitora abriu o debate, promovido pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE). Além de defender a universidade pública, Maria Amélia propôs a descentralização administrativa e a integração interna. Ela acredita que um programa de qualidade e planejamento possa melhorar a gestão das verbas da UFPR. ‘‘Também precisamos compatibilizar os horários das aulas com as necessidades dos alunos’’, acrescentou. Todas as suas propostas foram lidas.
Também apoiado na leitura, o professor Carlos Antunes politizou o discurso. Ele fez uma rápida análise da conjuntura (citando o arrocho salarial e a redução do número de professores) para afirmar que a qualidade de vida da comunidade universitária piorou nos últimos tempos. ‘‘É preciso estreitar o relacionamento da universidade com a sociedade que a sustenta’’, alertou. Seu candidato a vice, Romolo Sandrini, falou em aumentar a ação política da reitoria.
Com o discurso na ponta da língua, a professora Acácia Kuenzer demonstrou mais segurança que os outros candidatos. ‘‘Mais que discutir gestão, devemos tratar da concepção universitária’’, advertiu. Segundo ela, a UFPR deve formar cidadãos capazes de construir uma sociedade ‘‘mais justa e igualitária’’. O tom utópico da candidata incluiu uma menção a ‘‘ideais revolucionários’’. A retórica funcionou: Acácia foi a única aplaudida na apresentação.
Quando o mediador Antônio Carlos Oliveira da Silva, diretor do DCE, iniciou a fase de perguntas da platéia de 200 pessoas, o assunto foi a relação entre a UFPR e a iniciativa privada. Acácia condenou a prestação de serviços como estratégia de captação de recursos. Já Maria Amélia disse que a proposta, amparada por um programa científico-tecnológico, é fundamental para a formação dos alunos. ‘‘Relação com empresa, só com base em projetos acadêmicos’’, disse Antunes.
Embora sem esclarecer temas como autonomia universitária, a discussão traçou o perfil e o alinhamento ideológico dos candidatos. Outro encontro está marcado para a próxima segunda-feira, às 19 horas, na Reitoria da UFPR. A eleição acontece no dia 13 de novembro. O colégio eleitoral reúne mais de 22 mil pessoas, entre estudantes, professores e funcionários. O total de votos de cada setor tem peso idêntico na escolha do novo reitor.

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