Israel Reinstein
De Curitiba
A discriminação e a falta de comunicação estão entres os fatores que motivam a violência entre os jovens em Curitiba. A afirmação é da socióloga Ana Luisa Fayet Sallas, autora da pesquisa ‘‘Juventude, Violência e Cidadania – O caso de Curitiba’’, patrocinada pela Unesco e Secretaria Estadual de Educação. Pesquisando 900 jovens de 14 a 20 anos, de várias camadas sociais, e 400 profissionais da educação, escolhidos em escolas de diferentes portes e clientela, o trabalho traça um mapa da violência em escolas da cidade,
Segundo a pesquisadora, a violência entre jovens é reflexo de uma sociedade excludente, que discrimina pela classe social, racial e sexual. ‘‘Os estudantes entendem que quem é pobre, negro e homossexual está ferrado’’, afirma Ana Luisa, que coletou as opiniões dos jovens por questionários e entrevistas.
A socióloga afirmou que o morador de Curitiba estabelece bem os níveis em que cada pessoa pode percorrer. ‘‘Este componente estava presente também nos levantamentos feitos junto aos pais, professores e policiais’’, informou, acrescentando que foram entrevistados policiais do Batalhão Escolar. Um exemplo disso, é a maneira como os policiais agem em bairros de periferia ou próximo de escolas de bairros ricos. ‘‘No Batel, eles seguem a rotina. Na periferia, permitem-se safanões’’, disse.
Outra queixa é a falta de segurança, vivenciada na periferia. Nesses locais, os jovens agrupam-se para para sentir-se seguros. ‘‘Esses grupos, apesar dos esteriótipos, não são gangues’’, afirmou, acrescentando que o uso de armas brancas para se proteger não é raro.
No entanto, apesar da ação da polícia, o jovem convive mais com a violência doméstica (agressão dos pais ou briga entre os pais), seguido pela sexual. A socióloga explicou que na maioria das vezes o jovem procura solicionar o seu próprio problema sozinho, sem a presença da autoridade.
Ana Luisa afirmou que a falta de autoridade também é presente. Um dos indicadores é a visão que os próprios professores tem de seu trabalho. Dos 400 profissionais entrevistados, apenas 8% considerou que seu trabalho influência os alunos. ‘‘Os professores consideram que este trabalho fica ao encargo da família e mídia’’, disse. Na outra ponta, o jovem entende que a família (46%), escola (38%), mídia (14%) e religião (5%) auxiliam em sua formação.
‘‘A escola é considerado um local quente pelos estudantes’’,afirmou. Segundo ela, é preciso que professores e alunos passem a conversar. ‘‘Falta diálogo entre eles’’, disse.

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