Disciplina deve fazer parte da rotina dos diabéticos
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Cambé - Com apenas sete anos, os gêmeos Mateus e Davi Marianeli já sabem controlar sozinhos os testes de diabetes e as aplicações de insulinas que são feitas diariamente. A rotina dos garotos mudou depois que eles confirmaram a doença logo que apresentaram os primeiros sintomas: cansaço inexplicável, sede excessiva, rápida perda de peso, fome exagerada, vontade de urinar, visão embaçada e má cicatrização.
Os sintomas se manifestaram primeiro em Mateus, aos quatro anos de idade. Preocupada, a família buscou um médico que rapidamente detectou o diabetes. A taxa de glicemia era tão alta (mais de 700, quando o normal é 110), que o garoto poderia entrar em coma a qualquer momento. Internado, Mateus teve todo o acompanhamento necessário e hoje controla sozinho a doença.
No ano passado, o irmão Davi também teve a doença manifestada, com índices mais baixos. Também acompanhado, eles hoje levam uma vida normal. Cursam a primeira série e duas vezes por semana praticam a natação, atividade física que ajuda no controle da diabetes.
Em casa, a mudança na rotina está na alimentação, mais saudável e no controle na ingestão de doces. A mãe, Viviane Marianeli, afirma que o susto foi grande, mas que hoje toda a família aprendeu a conviver com a doença. ''Já faz parte da rotina da família. Todos aderimos a uma alimentação mais saudável, sem gordura, que está fazendo bem prá todo mundo. As crianças praticam atividades físicas, andam muito de bicicleta e levam uma vida normal. Não tem nenhum sacrifício, muito pelo contrário''.
Várias ações
A família Marianeli recebe acompanhamento do Grupo de Apoio ao Diabético Tipo 1 (Gad1), formado há seis anos em Cambé. No total, 42 crianças e adolescentes, de zero a 18 anos, participam do atendimento feito por uma equipe multidisciplinar, que inclui uma enfermeira, uma psicóloga, uma nutricionista e uma farmacêutica. Junto do Grupo de Apoio à Saúde da Família (Nasf), também de Cambé, prestam atendimento completo aos portadores de diabetes. O trabalho é desenvolvido com apoio da Secretaria de Saúde do município.
Além do acompanhamento aos doentes e às famílias, as crianças recebem atendimento médico periodicamente no Sismepar e Hospital das Clínicas (HC) de Londrina. ''Esse complemento tem que ser feito para que as crianças recebam todo o apoio clínico necessário'', afirma a coordenadora e enfermeira do Gad1, Dagmar Lachner.
O grupo trabalha com várias ações, envolvendo também o Programa de Saúde da Família, que presta assistência em toda a região, com visitas mensais nas residências, onde é feito o controle dos remédios e de consultas dos pacientes. Durante as reuniões, pais, filhos e os integrantes das equipes multidisciplinares discutem ações educativas e trocam experiências para garantir o sucesso do controle da doença. Em Cambé, as 11 Unidades Básicas de Saúde prestam atendimento a portadores de diabetes.
''A participação da família é muito importante porque o impacto da doença é muito grande. Aos poucos elas percebem que podem conviver normalmente com a doença e ter uma vida de qualidade. Quanto mais as crianças se cuidam, mais qualidade de vida terão no futuro'', afirma a enfermeira.
A idéia é fazer com que a doença que ainda não tem cura seja encarada de forma normal. ''Seguindo todas as recomendações como alimentação e atividade física frequente, os sintomas são amenizados e pode-se conviver normalmente com a doença''.


