Pessoas que atuam diretamente em tentativas de contornar conflitos em escolas são unânimes em afirmar que as causas quase sempre estão fora dos próprios colégios. Apontam a falta de autoridade e a escassez de bons exemplos em casa como principal fonte geradora de indiciplinas nas escolas. Porém, não eximem de culpa professores e diretores.
''As famílias estão acomodadas e transferem o filho e a responsabilidade pela educação para a escola'', afirma o promotor de Justiça Salvari José Dias Mancio.
''O pai e a mãe, em casa, são figuras decorativas. Os filhos vão para a escola com som, com celular, atrapalham o processo escolar e não aprendem. Esses equipamentos não podem chegar à escola e isso não é tarefa de professor, é dos pais'', acrescenta. Para ele, é preciso impor autoridade, ''com muito carinho, mas com muita firmeza''.
Apesar disso, Mancio não isenta professores e diretores de culpa. Para ele, falta capacitação e informação à maioria dos educadores. ''O professor está capacitado para transmitir conteúdo. Mas ele não está preparado para, às 8h, ser perturbado de maneira acintosa por um adolescente'', afirma.
O major Leomir Mattos acrescenta que a liderança imposta por professores e diretores pode amenizar os problemas de violência nas escolas. ''Onde existe uma direção forte, que consegue controlar os alunos não com autoridade, mas com liderança, não há problemas. Mas quando tem uma liderança fraca, você acaba tendo problemas'', justifica.
Especialistas afirmam ainda que a origem de atos violentos independe da classe social. Para a psicóloga Adriana Araújo, coordenadora do Projeto Não-Violência, esse mito deve ser derrubado.
Ela aponta a ''crise de valores'' do mundo adulto como um dos fatores que incentivam a violência juvenil. ''A formação do adolescente se pauta pelo espelho. Se conseguirmos que os adultos revejam seus conceitos, suas posturas, eles vão ser exemplo para as novas gerações'', acrescenta. (R.L.)

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