Curitiba - Segundo o coordenador de resíduos sólidos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sema), Laerty Dudas, um dos setores mais resistentes em empregar a logística reversa é o de lâmpadas fluorescentes, que estaria colocando no consumidor a responsabilidade pela destinação final desses resíduos.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux), Carlos Eduardo Uchôa, argumenta que o processo de comercialização de uma lâmpada passa por vários degraus desde a fabricação até sua distribuição. Com isso, o ônus pela destinação dos resíduos não deveria ser apenas do fabricante. ''Como é que uma fábrica no Acre vai recolher um produto no Paraná?'', questiona.
Outro perigo apontado pelo dirigente em relação às obrigações ambientais é que muitas empresas multinacionais poderiam deixar o Brasil. ''Se fizer uma medida assim, a maioria das empresas que têm capital estrangeiro fecha aqui e abre na China, daí nós vamos só importar'', prevê.
No dia 19 de maio, em uma reunião entre a Sema e os fabricantes de lâmpadas, com participação do Ministério Público (MP) estadual, ficou estabelecido que os empresários deveriam ter apresentado um plano de gestão dos resíduos até o dia 1º de julho, sob pena de multa. No entanto, até o momento nenhuma ação foi divulgada nesse sentido.
Uchôa questiona essa decisão, prevendo que o custo da gestão dos resíduos fatalmente recairá sobre o consumidor. Ele considera ''anti-natural'' a medida adotada pela Sema. ''Não pode ser por decreto, tem que ser uma solução de mercado, alguém tem que ter interesse em ganhar dinheiro com a reciclagem (das lâmpadas), que nem as latinhas de cerveja'', compara. Segundo ele, já existe um grande número de micro e pequenas empresas atuando na reciclagem de lâmpadas. (A.A.)

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