O presidente da Associação Comercial e Industril de Guaíra, Osmar Volpatto, que atua no ramo da construção civil e contabilidade, aponta como consequência econômica da ponte para a cidade a instalação ‘‘de novas empresas’’. Ele cita uma de eletrodomésticos (nacional) e outra do Paraguai, que produz e comercializa equipamentos náuticos, além da reativação de uma cerealista ‘‘e outras empresas menores’’. Volpatto assegura também que os restaurantes têm maior movimento. ‘‘Claro que ainda não é o esperado, mas o movimento melhorou uns 30%’’.
Volpatto comenta que Guaíra precisa qualificar os serviços que oferece, principalmente na área de restaurantes e hotelaria - há apenas um hotel de porte na cidade -, para atrair pessoas da região de fronteira, que estejam de passagem, e mostrar seu potencial turístico para visitação pelo menos de média duração. Hoje, os chamados ‘‘turistas’’ na verdade são compristas que vão a Salto del Guairá e não permanecem mais que um dia em Guaíra, embora a região tenha grande potencial turístico, como o Lago de Itaipu e santuários ecológicos.
O lago permite esportes náuticos e pesca e em sua margem há a Trilha Ecológica, em uma área da Itaipu. Além disso, Rio Paraná tem o atrativo do complexo Ilha Grande com praias, aguapés, pássaros e rica vegetação. Na cidade, o Centro Náutico permite a realização de grandes eventos. Há festas tradicionais como de pesca e gastronomia, um museu com acervo variado e peças de sítios arqueológicos e a Igreja de Nuestro Se¤or del Perdón, em pedra bruta, uma réplica de construções do período jesuítico, com vitrais que mesclam figuras com traços indígenas e jesuítas.
Cecília dos Santos, que ao lado do marido Sizínio dirige um dos mais conhecidos restaurantes da cidade, afirma que ainda é cedo para avaliar reflexos da ponte sobre o movimento de fregueses. ‘‘Esperávamos mais’’, confessa. O restaurante serve em média 45 almoços, a maior parte para pessoas que vão fazer compras em Salto del Guairá. ‘‘Há dez anos, quando começamos, o movimento era melhor’’, assegura Cecília. ‘‘Menos mal é o fato de não ter sido abertos novos restaurantes na cidade em função da ponte’’, consola-se.
Em Salto del Guairá, Maria Biúdez Rojas, que integra a diretoria da associação comercial, diz que a ponte ‘‘por enquanto nada acrescentou’’ ao movimento das lojas de eletrônicos e outros importados. ‘‘Ao contrário, há lojas fechando porque os brasileiros, basicamente paranaenses de regiões mais próximas da fronteira que frequentam o comércio local, parecem estar perdendo cada vez mais o poder aquisitivo’’, analisa.

mockup