Dimitri do Valle
De Curitiba
A Diretoria Municipal de Trânsito (Diretran) foi acusada ontem de perseguição política e demissão injustificada de um funcionário. Fernando César Borba de Oliveira, que era agente de trânsito até o dia 22 deste mês, disse que perdeu o emprego por incentivar a criação de um sindicato que defenda os interesses da categoria. Oliveira assinou o edital de convocação de uma assembléia para discutir a proposta com os agentes. Quando o aviso foi publicado na edição do Diário Oficial de quarta-feira da semana passada, o servidor foi demitido no mesmo dia.
Oliveira disse que a explicação oficial para o seu desligamento dos quadros da Diretran eram três ausências registradas no trabalho durante um ano e dois meses como agente. ‘‘Essa alegação é falsa. Se fosse assim, tem gente que faltou muito mais vezes do que eu’’, afirma o ex-agente de trânsito. A Diretran tem cerca de 500 agentes de trânsito que atuam na fiscalização do tráfego e do Estacionamento Regulamentado (Estar). Fernando Oliveira foi um dos dois agentes de trânsito presos em maio quando multavam veículos estacionados irregularmente próximo ao prédio da Assembléia Legislativa. As prisões foram determinadas pelo então presidente da AL, deputado Aníbal Khury (PFL), morto no início deste mês.
As agressões que sofreu de seguranças da Assembléia, relata Oliveira, motivaram uma mobilização entre os agentes da Diretran para criar o sindicato. Ele lembra que chegou a fixar cópias do edital de convocação da assembléia no prédio da Diretran, anexo a rodoviária. Poucos minutos depois, ele disse que os papéis foram arrancados. ‘‘Não esperava uma reação autoritária como essa’’, acusa. O ex-agente de trânsito estuda a possibilidade de pedir o emprego de volta por meio de recurso judicial. Por causa da demissão, Oliveira observa que os agentes ficaram com medo de comparecer à assembléia, que tinha sido marcada para a sexta-feira passada. A criação da entidade não ocorreu por falta de quórum.
‘‘Eles conseguiram deixar o pessoal com medo. Infelizmente, conseguiram intimidar, mas a assembléia será marcada para outro dia’’, avisa. Fernando Oliveira estranha que a carta de demissão de um agente, que normalmente leva duas semanas para chegar ao conhecimento do funcionário, foi redigida e entregue a ele no mesmo dia. O documento foi assinado pelo gerente administrativo da Urbs, Celso Bernardo.
A Folha não conseguiu apurar as causas da demissão de Fernando Oliveira na Diretran. Por meio da assessoria de imprensa, a direção do órgão confirmou apenas a demissão do servidor. ‘‘Caso ele se julgue injustiçado, que procure a Justiça do Trabalho’’, conclui o comunicado.Fernando de Oliveira, demitido no último dia 22, diz que perdeu o emprego por incentivar criação de um sindicato da categoria
José SuassunaDenúnciaFernado de Oliveira diz que a explicação oficial para o seu desligamento dos quadros da Diretran eram três ausências registradas no trabalho durante um ano e dois meses como agenteReproduções de página do Diário Oficial e do comunicado de demissão, datados de 22 de setembro, mostram que agente foi demitido no mesmo dia que convocação de assembléia foi publicada

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