Diretoria tenta iniciar eleição. E some
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terça-feira, 18 de fevereiro de 1997
Carina Paccola 
Mário CesarOrdem superiorOficial de Justiça leva intimação judicial ao sindicato, onde filiados tentavam votar As eleições do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Londrina estão sendo marcadas pelo conflito. Ontem, mesmo com liminar do juiz da 6ª Vara Cível de Londrina, Celso Seikiti Saito, determinando o cancelamento das eleições, os atuais diretores deram início à votação pela manhã. Com um detalhe: na cédula, o eleitor tinha apenas uma opção, a de votar na chapa situacionista, embora haja duas chapas concorrentes. As eleições estavam previstas para ontem, hoje e amanhã.
No meio da tarde, a coordenação da campanha decidiu cancelar a votação. Por volta das 17 horas, o oficial de Justiça Mário Lança Paes apresentou na sede do sindicato, no edifício Tókio, na rua Sergipe, uma intimação do juiz Saito para que a eleição fosse encerrada, sob pena de os diretores responderem por desobediência. Não havia diretores para receber a intimação. O funcionário de Recursos Humanos, Vanderley Ferreira, disse que não podia assinar recebimento. O oficial lhe comunicou: se houver eleição hoje os diretores vão responder por desobediência à ordem judicial. O oficial ainda percorreu a sede do sindicato mas não encontrou a urna.
Havia uma urna fixa na sede e 25 que percorriam os locais de trabalho dos operários da construção civil. Na urna do sindicato, dos 41 nomes de votantes, votaram 26, segundo o primeiro-secretário da mesa, Jacks Dias, que é diretor do Sindicato dos Bancários.
O pedido de cancelamento da eleição partiu do advogado Ricardo Ramalho, que representa o trabalhador Márcio Costa, candidato a presidente da chapa 2. Segundo Costa, a chapa 2 teve candidaturas impugnadas por decisão do secretário de Finanças do sindicato, que também concorre à reeleição.
O atual presidente do sindicato, Denilson Pestana, que concorre à reeleição, não foi encontrado pela Folha. O telefone celular de Pestana ficou desligado durante todo o dia de ontem. No sindicato, não se encontrava nenhum diretor. A Folha deixou vários recados com os funcionários da entidade, para que algum diretor entrasse em contato com o jornal. Os funcionários se recusaram a dar qualquer informação sobre as eleições e sobre o paradeiro dos diretores.
Durante a manhã, pelo menos dez trabalhadores da construção civil foram ao sindicato para votar, mas não puderam porque os nomes deles não constavam da lista de votantes. Não havia ninguém que pudesse informá-los porque estavam impedidos de votar. Jacks Dias, o mesário, disse que talvez o estatuto só permitisse voto para os filiados há seis meses. Filiado desde outubro, Faustino Aparecido Barbosa queria votar. Antes, quando me filiei, falaram que eu tinha direito a voto. Agora estão falando dos seis meses.
João Ferreira da Silva disse que contribui com o sindicato há 15 anos. O nome dele não estava na lista. Fernando Conceição Rocha também reclamou de não poder votar. É um absurdo o que essa diretoria está fazendo. Deveria deixar o trabalhador votar em quem quiser. Eles fecharam a urna na sala da presidência, disse o associado José Carlos Vítor de Souza.


