O drama enfrentado pelas famílias que mantêm os filhos no Centro de Educação Infantil (CEI) Alaíde Fausto de Souza, na Vila Nova (Área Central), teve mais um episódio. Dois meses após a instituição enfrentar uma greve por falta de pagamento dos professores, na manhã de ontem a própria diretoria suspendeu as atividades alegando não ter dinheiro para pagar despesas físicas como água, luz e impostos.
Horst Milbratz, primeiro-secretário da Associação Alaíde Fausto de Souza, que mantém a creche, informou que a falta de recursos decorre da suspensão do repasse de R$ 8 mil, por parte da prefeitura, referente ao pagamento do convênio em abril. No mês passado, o pagamento foi de apenas R$ 5 mil, o que teria contribuído para aumentar a dívida que, entre salários atrasados e outras despesas, já soma R$ 15 mil.
Simone Magrinelli, gerente de gestão escolar da Secretaria Municipal de Educação, explicou que o repasse não foi feito porque a associação não apresentou a certidão negativa cível do Paraná e o comprovante de escolaridade de uma funcionária contratada há 15 dias. Segundo ela, a situação será regularizada assim que a instituição providenciar os documentos.
Sobre a redução no valor do mês passado, Simone esclareceu que a quantia é estabelecida de acordo com a apresentação da quantidade de matrículas de crianças. ''O CEI pode matricular até 82 alunos, mas a estatística enviada no mês passado tinha menos nomes.''
De acordo com diretor-tesoureiro do Sindicato dos Professores das Escolas Particulares de Londrina e Norte do Paraná (Sinpro), Diego Mendes de Carvalho, o salário de março está atrasado e, além disso, a diretoria não cumpriu o acordo coletivo firmado em fevereiro que estabelecia o dia 12 de abril como data-limite para pagamento do salário de dezembro de 2009. ''A diretoria do CEI sabia da necessidade dos documentos e não agilizou a regularização. É um descaso com as crianças e os funcionários'', criticou.
Surpresas com a notícia, mães de alunos se aglomeravam na porta da escola a espera de uma solução. A empregada doméstica Elen de Lourdes Simões voltaria para casa com as filhas Gabriela, 3, e Uelen, 4. Na mesma situação, a vendedora Ana Paula Fernandes lamentou a falta de colaboração de alguns pais que, segundo ela, não pagam a contribuição mensal de R$ 50 pedida pela direção.
Conforme Milbratz, as contribuições espontâneas das famílias reduziram drasticamente após a crise enfrentada pela instituição em fevereiro. Sobre a possibilidade de entregar a administração para outra entidade, ele afirmou que ''ninguém quer''. Carvalho, do Sinpro, esclareceu que outras associações não podem assumir a administração enquanto as dívidas não forem quitadas.

mockup