Diretoria é processada por causa de projeto
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segunda-feira, 16 de abril de 2007
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Sarandi - As brigas entre os alunos sempre foram uma dor de cabeça para os diretores do Colégio Estadual Jardim Independência, em Sarandi (Noroeste). Mas a criatividade foi o que bastou para reduzir a indisciplina, com um aumento dos momentos de lazer e da responsabilidade dos estudantes. A solução, porém, tornou-se um problema para os diretores, que chegaram a responder processo administrativo no Núcleo Regional de Educação (NRE) de Maringá.
A mudança foi simples. O intervalo de 15 minutos sofreu um aumento para 40 minutos. E os alunos não ficam mais na escola por isso. Cada aula diminuiu em cinco minutos. Só que os estudantes não ficam sozinhos no pátio, mas contam com o acompanhamento direto dos professores. A iniciativa recebeu o nome de Intervalo Dinâmico e integra um projeto maior, chamado ''Por Uma Escola Dez.'' Outras ações são a Rádio Estudantil e as Escolinhas Esportivas.
''Acabamos com o tempo ocioso. Os jovens tinham a oportunidade de interagir com os professores. O relacionamento entre os alunos melhorou bastante e com os professores também. Se ficávamos sabendo de brigas, o intervalo voltava a ter apenas os 15 minutos'', explica Adauto da Silva.
Esse sistema funcionou na escola nos anos de 2004 e 2005. Foi extinto porque o NRE abriu um processo administrativo contra Silva e a atual diretora Eliane Aparecida Valério. A alegação, segundo Silva, era que as aulas não podiam ter menos de 50 minutos.
O argumento, porém, é duramente criticado pelo vice-diretor da escola. ''Projetos e jogos escolares contam como aula. Agora, quando a gente monta um projeto que dá resultado, é processado'', lamenta.
Desde que o Intervalo Dinâmico deixou de existir, os antigos problemas voltaram a tomar conta do colégio. As brigas estão novamente acontecendo com frequência. Há duas semanas, no entanto, os diretores foram absolvidos e o processo, arquivado. E Silva garante que vai retomar o projeto.
''Não vou ficar parado na minha sala sabendo que posso mudar essa realidade'', destaca Silva, que acrescenta que pensou em desistir da profissão quando foi obrigado a desativar o projeto.
A assistente da chefia do NRE de Maringá, Vera Lúcia Baroni, disse que a ''readequação'' foi feita porque a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) impede a redução da carga horária dentro das salas de aula. Quanto ao crescimento da indisciplina informado pelo vice-diretor, ela preferiu não comentar: ''Não tenho embasamento estatístico para saber se esse aumento é verídico ou não'', declara.
A reportagem entrou en contato com a Secretaria de Estado da Educação, mas não obteve retorno.


